Rafael Porcari: Como substituir treinador demitido na Série A-3 do Paulistão? - Esporte Jundiaí Esporte Jundiaí: Rafael Porcari: Como substituir treinador demitido na Série A-3 do Paulistão?

06/02/2017

Rafael Porcari: Como substituir treinador demitido na Série A-3 do Paulistão?

Umberto Louzer, como adiantado por Adilson Freddo na Rádio Difusora após o jogo contra o Nacional, vai dirigir o Galo na A3 nos próximos jogos. A questão é: para a FPF, ele irá como treinador ou como assistente técnico? Vai como assistente.

Na prática, não muda quase nada por ser o Umberto. Mas se fosse alguém de fora, o Paulista teria problemas. Explico: no regulamento, há a norma de que os treinadores de cada clube devem ser registrados na FPF. Se um time demitir seu treinador, só poderá substituir por outro caso acerte a rescisão trabalhista. Dessa forma, somente após Carlinhos Alves assinar o “tudo ok” / recibo / comprovante de que o Paulista nada deve a ele, é que se poderá inscrever outro treinador.

Assim, Umberto vai para o jogo como assistente técnico (de acordo com a arbitragem), fazendo a função de treinador, já que ele inexiste no momento (ou melhor, para a FPF ainda existe: é Carlinhos Alves, até que se pague a multa trabalhista). Digamos que nesta terça-feira o Galo apresentasse Vanderlei Luxemburgo! Imaginaram? Ele não poderia sentar no banco caso não se desse a “baixa na carteira profissional” do Carlinhos, pagando seus direitos trabalhistas.

Portanto, o Paulista irá para o jogo com um integrante a menos da Comissão Técnica, já que Umberto, assistente técnico, fará a vez de treinador (mas registrado como assistente) e ninguém poderá ser o assistente do Umberto (já que não é o técnico efetivo). Claro, isso se o quarto-árbitro estiver afinado com as regras do jogo e com o regulamento da competição. Se passar batido, é bobeada da arbitragem.

Sabe o que o Umberto não poderá fazer? Permanecer em pé na área técnica! Por ser registrado como assistente técnico, ele poderá se levantar do banco, passar a instrução, e deverá voltar para o seu lugar (motivo: somente o treinador pode permanecer de pé na área técnica, à beira do gramado). E se supostamente ele for expulso, alguém da comissão técnica fará o mesmo procedimento.

Curiosidade: se todos forem expulsos, nenhum jogador poderá fazer a vez de treinador, pois não são membros da comissão técnica, eles são atletas inscritos. De coração, desejo muito boa sorte ao Umberto, que fez uma campanha maravilhosa na Copa São Paulo e é um sujeito trabalhador, competente e do bem (embora, saibamos, tal missão nesse momento seja inglória).

Ops: importante – no último sábado, na cabine do Jayme Cintra, fizemos via telefone uma consulta à FPF sobre o fato da expulsão do treinador Carlinhos Alves resultar ou não no cumprimento da suspensão automática (já que na CBF está no regulamento a obrigatoriedade da suspensão e na FPF não consta no regulamento). Após algumas conversas, descobriu-se que o caso é omisso e ninguém se houvera atentado para isso! Em 2018, deverá ser melhor redigido e a questão dirimida, segundo a própria FPF.


Por Rafael Porcari – ex-árbitro de futebol profissional e atualmente comentarista da Rádio Difusora 810 AM