Rafael Porcari: A polêmica do clássico e a tentativa de explicação de Thiago Duarte - Esporte Jundiaí Esporte Jundiaí: Rafael Porcari: A polêmica do clássico e a tentativa de explicação de Thiago Duarte

23/02/2017

Rafael Porcari: A polêmica do clássico e a tentativa de explicação de Thiago Duarte

Acho muito importante fazer algumas observações para falar sobre a confusão proporcionada por uma advertência errada na partida Corinthians 1×0 Palmeiras em Itaquera.

No final no 1o tempo, estando 0x0, o árbitro Thiago Duarte Peixoto se equivocou e aplicou o cartão amarelo ao corintiano Gabriel, achando que ele houvera feito falta por agarrão no palmeirense Keno (não foi ele, foi Maycon). Por já ter recebido o amarelo anteriormente, foi expulso pela 2a advertência.

A partida também teve outros erros, como a não expulsão de Victor Hugo (SEP) após clara cotovelada em Pablo (SCCP) nos minutos finais, mas o lance capital foi o lance de Gabriel.

Repito o que já escrevi em outras oportunidades: é preciso entender a carreira e os percalços de Thiago Peixoto para saber se a culpa é dele ou de quem o escala. Vejamos esse relevante retrospecto da sua ascensão ao pós-jogo no vestiário:

Desde o seu aparecimento em jogos de TV, a irregularidade tem sido comum. Ótimas e ruins arbitragens com problemas disciplinares. Em 2010, quando apareceu na final da Copa São Paulo entre Santos x São Paulo, deixou de expulsar o goleiro são-paulino que posteriormente pegou 3 pênaltis (relembre em: https://is.gd/gbPEtW). Mesmo com esse importante erro, chegou à 1a divisão e hoje é aspirante à FIFA.

Entretanto, às vésperas do seu 1o Derby, foi acusado de ser corintiano numa foto divulgada na Internet. Nada disso, era uma doação de uma camisa que estava fazendo ao Hospital do Câncer de Barretos, onde reside, para que fosse leiloada pós-falecimento da sua mãe que lá fora tratada. Veja em: http://wp.me/p55Mu0-pl. Pressionado para o jogo, teve ótima atuação em 2015 (quando Roberto de Andrade, o presidente de hoje, era diretor de futebol e o elogiou na época). Sua atuação no Corinthians x Palmeiras há 2 anos está aqui: http://wp.me/p55Mu0-px. Mas em outros jogos, pouco tempo depois, como no São Paulo x Santos, voltou a ter problemas disciplinares (a vulgarização dos cartões em destaque), citado aqui: http://wp.me/p55Mu0-rY. Aliás, esse é o grande defeito: na tentativa de se impor, Thiago passa ar de arrogância (vide uma recente partida na Arena da Baixada, onde os atletas reclamaram do excesso de autoridade e de cartões). A forma como aborda os atletas pode ser confundida como uma empáfia, mas não é. É simplesmente uma teatralização desnecessária e equivocada para dizer que a arbitragem está segura.

Apesar de tudo isso, foi indicado ao quadro de aspirante à FIFA. Entretanto, antes que pudesse festejar, uma tragédia pessoal: há exatos 11 meses sua esposa, grávida de 7 meses, faleceu de gripe suína (o relato triste aqui: http://wp.me/p55Mu0-RF).

Thiago se manteve afastado da arbitragem por motivos óbvios. Voltou a trabalhar com as mesmas virtudes e defeitos, conciliando sua atividade de educador físico com o futebol (uma válvula de escape ao episódio lamentável).

Quando o sujeito perde alguém querido, procura se enfiar em algo para esquecer. Alguns na bebida e drogas, outros na religião e outros no trabalho, como no exemplo dele. É por isso que o choro extrapolou quando foi dar uma entrevista coletiva duas horas depois do jogo. Nada mais foi do que uma tentativa de salvar a carreira, pois sabemos que em São Paulo o manda-chuva da arbitragem, acima da Comissão de Árbitros, está sendo o rigoroso Dionísio Roberto Domingos, ex-árbitro e amigo do presidente Reinaldo Carneiro Bastos.

O ato de admitir publicamente o erro numa partida, raríssimo em se tratando do frescor do evento e plausível pela humildade, teve falhas: deveria relatar em súmula que foi informado do erro e posteriormente reconheceu o equívoco (não o fez).

Qualquer árbitro que entra na escola de árbitros da FPF, sabe: seu professor será o estudioso e boa praça Roberto Perassi. Mas logo o aluno é avisado: só não chegou à FIFA pois foi muito mal num Corinthians x Palmeiras e aí encerraram a carreira dele. Perceberam como o choro de Thiago foi  realmente sincero?

Não acontecerá isso (o término da carreira) com ele, pois o Coronel Marcos Marinho, que gosta muito dele e que agora comanda a arbitragem da CBF, manterá seu escudo de aspirante à FIFA; em que pese não apitará mais jogos das duas equipes neste Paulistão (pois, afinal, o que conta é atuar no Brasileirão).

Por fim: se o vídeo-árbitro da FIFA estivesse funcionando, isso teria acontecido? Talvez sim, pois já veio à tona a imagem de que o 4o árbitro avisa do erro e o árbitro não considera a informação.


Por Rafael Porcari


Ex-árbitro de futebol profissional e comentarista de arbitragem da Rádio Difusora