Rafael Porcari: Analise da arbitragem de Paulista 2 x 1 Portuguesa Santista - Esporte Jundiaí Esporte Jundiaí: Rafael Porcari: Analise da arbitragem de Paulista 2 x 1 Portuguesa Santista

25/03/2017

Rafael Porcari: Analise da arbitragem de Paulista 2 x 1 Portuguesa Santista

Por Rafael Porcari
Comentarista de arbitragem da Rádio Difusora – Jundiaí e ex-árbitro de futebol profissional


Não gostei da atuação do jovem árbitro Flávio Roberto Mineiro Ribeiro. E gostaria que as críticas que aqui faço sejam entendidas como aconselhamentos para melhorar sua atuação.
Antes de mais nada, é importante dizer que o árbitro tem ótimo porte físico, correu bastante e se posicionou bem. Entretanto, a partida era muito fácil de apitar e só se complicou por alguns descuidos do próprio árbitro.

Vamos lá:
1 - Uma observação sobre a postura antes do jogo, e que seja uma crítica construtiva: não precisa ficar “palestrando meia hora” antes de fazer o sorteio do toz com os capitães. Entendo que por ser jovem e querer transmitir segurança, gesticulou bastante e falou muito na preleção para os jogadores; mas se comprida como foi, ela se torna enfadonha e leva a um falso entendimento de quer ser convincente e nem consegue. Além disso, fez um desnecessário grande teatro ao jogar a moeda para cima, deixar cair na grama e abrir espaço entre os atletas para ver como a moeda caiu. Pra quê? Repito: mais simples, curto e enfático (é dica para melhorar).

2 - Aos 12m, Dick (PFC) fez uma falta mais forte em Fernando (AAP) e o árbitro soube fazer a adequada leitura com advertência verbal. Mas quando permitiu atendimento médico dentro do campo ao jogador caído, já pediu água ao membro da Comissão Técnica da Portuguesa. Não gostei, pois, afinal, o jogo acabou de começar!

3 - Aos 23m, Brendon (PFC) fez falta em Fernando (AAP) e o árbitro demorou muito para tomar a decisão de esperar a vantagem se concretizar ou não e marcar a falta. Foi um erro de leitura da jogada, pois em meio ao bate-rebate e bololô, não teria vantagem.

4 - Aos 29m, Willian Dias (PFC) fez clara falta no meio de campo em Carlos Alberto (AAP) que não foi marcada, e para o seu azar, nasceu um contra-ataque a favor do time de Jundiaí. Se sai o gol, a Lusinha iria reclamar bastante (e com razão).

5 - Aos 36m, uma inversão de lateral do bandeira 2 Gilmar Gomes, que deu uma bobeada. A bola foi chutada pelo Paulista nas pernas do adversário e ele ficou esperando o árbitro definir, e que teve dúvida.

6 - Aos 41m, Iran (AAP) dá uma forte entrada em Douglas (PFC) e recebe corretamente Cartão Amarelo. Imediatamente, Iran se revolta, soca o ar, xinga, esbraveja, precisa ser contido e continua atazanando o árbitro. Falou tudo o que quis, o que podia e o que não podia. A impressão é que o árbitro expulsaria (como deveria) o jogador, mas para surpresa até da Portuguesa Santista, “administrou”. Faltou se impor, deu a clara impressão de que pipocou para o experiente jogador. O treinador Marcelo Fernandes, experiente, substituiu Iran por Tikinho.

7 - Aos 60m, Dick (PFC) fez falta e corretamente levou o cartão amarelo. Entretanto, quase 2 minutos para se cobrar devido a dificuldade em se fazer a barreira, pois havia muita conversa do árbitro. Não pode.

8 - Aos 70 minutos do jogo, um tiro livre direto dentro da área do Paulista. O goleiro tocou a bola e ainda dentro da área outro jogador saiu jogando. Não pode, pois tiro de meta e tiro livre nesta situação só se concluem quando saem da grande área e aí algum atleta pode tocar a bola. Nem árbitro e nem atleta perceberam. Sabe quem viu, além da equipe da Difusora? O treinador Marcelo Fernandes da AAP, que correu reclamar com o 4o árbitro que também nem percebeu!

9 - Por fim: um circo no final do jogo, em lance desnecessário. Na lateral do campo, aos 44m do segundo tempo, Carlos Alberto (o camisa 8 da AAP, que fez diversas faltas, conversou bastante com o árbitro, esbravejou e nem advertido foi), bateu boca com o treinador Sérgio Caetano. A discussão levou a uma confusão generalizada. Carlos Alberto nem advertido foi, mas Sérgio Caetano foi expulso. Segundo o árbitro em sua súmula, expulsou o treinador por ofender o atleta com os dizeres: “Vai seu Zé Buceta do Caralho, joga aí sua bola”.