Jornalistas opinam sobre a queda do Paulista a 4ª divisão do Estadual - Esporte Jundiaí Esporte Jundiaí: Jornalistas opinam sobre a queda do Paulista a 4ª divisão do Estadual

10/04/2017

Jornalistas opinam sobre a queda do Paulista a 4ª divisão do Estadual


Por Thiago Batista – Esporte Jundiaí
Foto: Thiago Batista

O rebaixamento do Paulista a 4ª divisão do Campeonato Estadual neste domingo, o 7º nos últimos dez anos, mostra o quanto os problemas administrativos estão atrapalhando o clube, especialmente a falta de planejamento e as contratações equivocadas de atletas, segundo avaliaram jornalistas contactados pela reportagem do Esporte Jundiaí¸ neste domingo.

Paulo Behr Ferro, cobre desde 2013 o dia-a-dia do Galo para o Jornal de Jundiaí. Para ele o problema do Paulista é um conjunto de problemas. “É a má gestão, a ilusão que o título da Copa do Brasil de 2005 ia ser um divisor de águas, e o clube não soube aproveitar este momento para ser um time grande do interior. Ao invés de aproveitar e usufruir financeiramente, tecnicamente e patrimonialmente, em vez de subir, acabou caindo, caindo e caindo. No Brasileiro está fora de série e no Paulista está na última divisão”. “Muita gente dando pitaco, contratação de jogador por impulso, mesmo com bons técnicos como os casos do Giba e o Sérgio Caetano – pois mostrou ser bom técnico, já que ele arrumou o time. Mas a maioria das vezes contratou jogadores de nível duvidoso sem critério técnico nenhum”, disse. “O clube está quase falido, estádio quase indo a leilão, e na 4ª divisão do Campeonato Paulista. Está abaixo do fundo do poço. Abriu o alçapão do fundo do poço. Sem divisão no Brasileiro e está na última divisão do Campeonato Estadual”, completou.

Fábio Estevam, jornalista já cobriu o dia-a-dia do clube por jornais da cidade, especialmente quando o clube disputou a Copa Libertadores da América, em 2006. Para ele, o Paulista está nesta situação pois existe uma herança maldita de tempos. “O Paulista está nessa situação, porque todo dirigente que entra pós geração Eduardo Palhares, precisa tocar o clube com uma herança maldita, embora eu também acredite que o clube tenha dúvidas acumuladas também de administrações anteriores a esta. Não apenas financeira, mas de total falta de confiança e credibilidade. Parte do desinteresse do empresariado no Paulista vem daí. Dito isso, além de compactuar e não abrir a situação, não dar nomes específicos a cada conta adquirida, gestões posteriores se mostraram amadoras na administração, negócios foram fechados, acordos firmados, e tudo ficou entre quatro paredes”, disse. “Entendo que, num clube pequeno, de interior, e com possibilidade de forte apelo da comunidade uma frente de torcedores deveria fazer parte das decisões do clube. A Copa São Paulo mostrou isso. Desde que de forma organizada, é claro. E devem saber se tudo (absolutamente tudo), o que se passa dentro dele”, completou.

Rafael Santos, narrou grandes jogos do Paulista, como o 2º gol de Léo na conquista da Copa do Brasil em 2005 e o gol de Rodrigo Sabiá na conquista da Copa Paulista, em 2010. Para ele a queda do Paulista a 4ª divisão do Campeonato Estadual é fruto de péssimas administrações no clube. “Administração horrível e falta de apoio de empresas para apoiar o time. Jundiaí é uma cidade rica e com grandes empresas. Faltou apoio, planejamento. Muita coisa errada”, disse. “O difícil agora é encontrar apoiadores, parceiros para investirem em um time que não terá visibilidade nenhuma da mídia e isso é péssimo”, completou.

Para Rafael, não é hora de o poder público fazer parte do dia-a-dia do clube. “Creio que os empresários da cidade podem se unir e fazer o time se levantar. Muita gente diz que a prefeitura teria que fazer algo, mas não é de competência do poder público realizar investimentos no clube, mesmo porque não pode, pelo que sei. Só depende dos empresários da cidade e os apaixonados pelo clube”, afirmou.

Para Anelso Paixão, jornalista que já acompanhou o dia-a-dia do Galo pelos principais veículos da cidade, o declínio do clube passa pelo afastamento entre a cidade e seu clube do coração. “Os resultados em campo foram levando a isso. O torcedor guarda na memória grandes momentos do clube se empolga sempre que o time mostra alguma reação, como na empolgante recente campanha na Copinha São Paulo. O problema é que esses acontecimentos são tão raros”, afirmou. “Em momentos normais, o que vemos é sempre o mesmo grupo de empresários, alguns já desgastados na cidade, e uma pequena parcela de torcedores tentando manter o clube em pé, sempre na torcida para que algum milagre ocorra e surja um novo patrocinador disposto a assumir o clube, como nos tempos de Lousano e Parmalat, embora esse também seja apenas uma solução provisória, já que esse tipo de incentivo tem prazo de validade”, completou.

Para ele, o grande desafio é conquistar novamente o carinho de Jundiaí pelo clube. “A história de amor entre clube e cidade vive de pequenos repentes. Reconquistar o torcedor local é o grande desafio. O restante é ficar esperando milagre”, disse.

João Carlos Coutinho, jornalista do Jornal da Cidade, acredita que a queda se deve a sérios problemas administrativos que passa o Galo. “Apesar que a vinda do Campus Pelé como parceiro ainda foi na época do presidente Eduardo Palhares e foi apenas um parceiro de fachada. Não ajudou em nada e ainda acabou levando ou adquirindo diversos talentos da base, enfraquecendo o Paulista. Péssimas administrações culminaram num clube deficitário, com um belo estádio - não moderno, mas de grande capacidade pra público, mas sem times competitivos desde 2007 quando do rebaixamento da Série B do Brasileiro”, contou.

Para Coutinho, o momento no Paulista seria de pensar no seu futuro, nem que se demore um pouco a voltar a jogar profissionalmente. “Melhor saída seria pedir dispensa das atividades e voltar dentro de dois anos com novo gás, assim como fez o Novorizontino”, disse. Já Fábio Estevam, o momento seria de novas ideias no Galo. “Tenho lido ótimas alternativas propostas por torcedores, jornalistas, entre outros. Eu, particularmente, ainda acho que o clube vai ainda arder no mármore dessa série pré-amadora, a qual agora está, por algum tempo. Tudo no pacote desse montão de heranças malditas”, completa.