Edmilson: “Se o Paulista não tem competência de ter calendário, feche as portas” - Esporte Jundiaí Esporte Jundiaí: Edmilson: “Se o Paulista não tem competência de ter calendário, feche as portas”

08/05/2017

Edmilson: “Se o Paulista não tem competência de ter calendário, feche as portas”


Por Thiago Batista – Esporte Jundiaí
Foto: Thiago Batista

Edmilson, zagueiro e volante campeão mundial pela seleção brasileira em 2002, e da Champions League (Liga dos Campeões da Europa) pelo Barcelona em 2006, começou a sua carreira no interior de São Paulo. Mais precisamente em 1991 no XV de Jaú. Foi para um clube grande, em 1994, o São Paulo. Encerrou a sal carreira em 2011, no Ceará. Apesar de ter atuado nas principais equipes do mundo, ele sabe a realidade do interior – a da má gestão. E para ele quem não tem competência para atuar hoje no futebol profissional, não ter calendário – como ocorre com o Paulista neste momento, deveria é fechar as portas.

“Acho que existe calendário bom para os times organizados. Se a 10 anos tinha calendário e hoje não tem a gestão é ruim. Eu sou 100% a favor, se os clubes não têm o mínimo de estrutura acabar. Não tem espaço hoje mais para o amadorismo. Se o Paulista, com toda história que tem, não colocar gente séria na gestão, vai passar mais 10, 20 anos na mesma situação. Não é so Paulista, é o União São João, XV de Jaú, amanhã pode ser o Guarani, a Ponte Preta. No Ituano, o Juninho está há 10 anos organizando o clube, e para ele tem calendário o ano inteiro, porque se estruturou, tem os pés no chão, jogou bola, e investe todo seu tempo lá (no clube). Os times que não se organizarem e terem gente séria, vai passar os anos e não vai mudar”, disse.

Edmílson está no momento estudando para ser gestor no futebol ou treinador de campo. Mas ele não definiu qual linha da carreira vai seguir. Ele deseja estudar ainda mais dois anos, antes de escolher a profissão que vai seguir. “Eu estou tirando minha licença de treinador no Brasil e termina em dezembro. Em agosto vou morar em Barcelona para treinar as escolinhas e vou estudar a gestão. Vou estar no mercado dentro de dois ou três anos. Mas hoje, hoje não sinto nenhuma vontade de estar treinando uma equipe no Brasil e nem fora. Hoje não é meu momento. Mas no Brasil a dificuldade é grande dos profissionais fazer trabalho a médio-longo prazo. Temos vários exemplos, mesmo com treinadores com bom aproveitamento ter trabalho questionado. Tem muita coisa nesta questão ser evoluída”.

O ex-zagueiro também acredita que nunca um ex-jogador vai comandar um Federação ou Confederação no Brasil, se souber ser político e também estudar para função. “Hoje a política acaba entrando em todas as áreas sociais, e acredito muito que algum ex-atleta possa conseguir, mas ele tem que ter um bom lado político e estudar bastante. Não adianta colocar Pelé e Zico na função, pois eles não estudaram e não são políticos. Teremos dificuldades gente que ganhou Olímpiada ou Copa do Mundo em um cargo tão importante nas nossas Confederações”, declarou ele, que fez altos-elogios a Edu Gaspar, atualmente coordenador técnico da seleção brasileira, que sabe fazer o elo entre dirigentes e o campo.

“O Edu é um cara novo, faz trabalho legal, foi jogador de campo, e faz um trabalho diferente com Tite na seleção e é ligado ao presidente (da CBF – Marco Polo Del Nero). Espero que comece por lá, mas a seleção não teria que ser o começo e sim o fim. O caminho era para ser nos clubes. No São Paulo agora terá o Raí no conselho de gestão e o Alessandro trabalha no departamento de futebol. Estes caras não podem ser cobaia. Projeto tem sempre um tempo de começo e final e tem que ser avaliado”, completou.