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Sálvio Spínola diz que o maior erro da sua carreira como árbitro aconteceu em Jundiaí


Por Thiago Batista – Esporte Jundiaí
Fotos: Thiago Batista

Sálvio Spínola Fagundes Filho desde 2013 é analista de arbitragem da ESPN Brasil, participando dos programas da emissora para falar sobre lances duvidosos a cada rodada no futebol brasileiro e tirando dúvidas sobre as regras do futebol. Ele que apitou no quadro da Federação Paulista de Futebol de 1996 até 2011, com decisão da Copa América no currículo (2011 – Uruguai 3 x 0 Paraguai). Ele esteve em Jundiaí, nesta sexta-feira, para acompanhar o teste de arbitragem dos árbitros paulista para apitar no Brasileirão e também avaliar o desempenho do repórter Mendel Bydlowski, em um especial que o canal está fazendo sobre arbitragem. E foi na “Terra da Uva” que ocorreu para ele o maior erro na sua carreira na arbitragem.


“Sem dúvida o maior erro da minha carreira como árbitro ocorreu aqui em Jundiaí, no jogo Etti Jundiaí (nome do Paulista na época, em virtude da parceria do clube com a Parmalat) e América pela Série A-2 (jogo foi pela 22ª rodada de 30 no total – 19 de maio). Como fiquei fora de escala naquela semana na Série A-1 (eram jogo de volta das semifinais) fui escalado para apitar uma partida da A-2. Era um jogo tranquilo, pois era o líder do campeonato, o Etti, contra uma equipe de meio de tabela, sem grandes pretensões, caso do América. E foi uma jogada que começou em um escanteio e todo o estádio viu que o zagueiro do América, Camilo cortou a bola com a mão, menos eu, o que seria pênalti para o time de Jundiaí. E na continuação da jogada, no contra-ataque o Bilu acertou um belo chute e fez o gol para o América. A minha sorte que o bandeira Wladimir Zacarias correu até o meio-campo para me avisar do lance. E neste meio lance, o zagueiro Camilo confidenciou que colocou a mão na bola e disse que como tinha saído o gol do América eu não poderia mais voltar atrás. Mas ele não sabia do detalhe da regra, pois ainda não havia autorizado o reinicio do jogo, e que poderia marcar o pênalti como ocorreu”, contou Sálvio.

“O presidente do América no intervalo foi reclamar do lance. Eu perguntei se havia sido pênalti e ele disse que sim. Falei então eu acertei. Após o jogo, vou para minha casa, e jantando a televisão estava ligada no Jornal Nacional (da TV Globo). E na parte final do jornal, o William Bonner anuncia que ia passar um lance inusitado na Série A-2 do Paulistão, e foi justamente o lance do meu erro. Minha lambança ficou conhecida no país inteiro”, completou. Sálvio lembra ainda que após o pênalti, convertido pelo Etti Jundiaí.



Sálvio Spinola conversando José Henrique de Carvalho, da comissão de arbitragem da FPF.
E aquele erro custou caro para Sálvio. “Eu estava cotado para apitar a final do Paulistão daquele ano entre Corinthians e Botafogo de Ribeirão (na qual foi vencida pelo Timão), e por conta do meu equivoco aqui em Jundiaí fiquei de fora da decisão. Mas o bom é que duas semanas pela Série A-2 eu fui escalado para apitar um jogo do América de São José do Rio Preto, mostrando a minha competência”, disse.

Sobre o teste de arbitragem – Sálvio disse que os testes físicos para arbitragem estão dentro do que é exigido atualmente no futebol. “Este teste capacita se o árbitro apitar. Ele é difícil, mas segue um padrão que o professor belga Werner Hensen, que desenvolveu o teste atual. Antigamente era um cooper de 12 minutos, agora esta dentro da realidade que existe no jogo”, afirmou.


Profissionalização da arbitragem – Para o comentarista de arbitragem da ESPN Brasil, os árbitros e auxiliares de futebol já deveriam ser profissionais. Para ele, não precisaria de uma lei federal (como tramita no Congresso Nacional) para ocorrer, e sim a iniciativa partir das entidades que controlam o futebol no país. “O árbitro deveria dedicar-se 1º ao futebol e depois as outras atividades. Isto já ocorre em alguns países como Inglaterra, Argentina, México, Japão, Portugal e Suiça. Aqui caso algum dia seja feito, tem que ser feito um processo de transição, com os árbitros mais novos sendo profissionalizados, com o futebol sendo dedicado em 1º lugar e os árbitros mais velhos, que tem pouco tempo apenas de carreira continuando da maneira que começaram”, contou Sálvio. “O futebol cobra muito do árbitro, mas não oferece nada ao árbitro”, finalizou.
Sálvio Spínola diz que o maior erro da sua carreira como árbitro aconteceu em Jundiaí Sálvio Spínola diz que o maior erro da sua carreira como árbitro aconteceu em Jundiaí Reviewed by Thiago Batista de Olim on 5/06/2017 12:07:00 AM Rating: 5

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