Sálvio Spínola diz que o maior erro da sua carreira como árbitro aconteceu em Jundiaí - Esporte Jundiaí Esporte Jundiaí: Sálvio Spínola diz que o maior erro da sua carreira como árbitro aconteceu em Jundiaí

06/05/2017

Sálvio Spínola diz que o maior erro da sua carreira como árbitro aconteceu em Jundiaí


Por Thiago Batista – Esporte Jundiaí
Fotos: Thiago Batista

Sálvio Spínola Fagundes Filho desde 2013 é analista de arbitragem da ESPN Brasil, participando dos programas da emissora para falar sobre lances duvidosos a cada rodada no futebol brasileiro e tirando dúvidas sobre as regras do futebol. Ele que apitou no quadro da Federação Paulista de Futebol de 1996 até 2011, com decisão da Copa América no currículo (2011 – Uruguai 3 x 0 Paraguai). Ele esteve em Jundiaí, nesta sexta-feira, para acompanhar o teste de arbitragem dos árbitros paulista para apitar no Brasileirão e também avaliar o desempenho do repórter Mendel Bydlowski, em um especial que o canal está fazendo sobre arbitragem. E foi na “Terra da Uva” que ocorreu para ele o maior erro na sua carreira na arbitragem.


“Sem dúvida o maior erro da minha carreira como árbitro ocorreu aqui em Jundiaí, no jogo Etti Jundiaí (nome do Paulista na época, em virtude da parceria do clube com a Parmalat) e América pela Série A-2 (jogo foi pela 22ª rodada de 30 no total – 19 de maio). Como fiquei fora de escala naquela semana na Série A-1 (eram jogo de volta das semifinais) fui escalado para apitar uma partida da A-2. Era um jogo tranquilo, pois era o líder do campeonato, o Etti, contra uma equipe de meio de tabela, sem grandes pretensões, caso do América. E foi uma jogada que começou em um escanteio e todo o estádio viu que o zagueiro do América, Camilo cortou a bola com a mão, menos eu, o que seria pênalti para o time de Jundiaí. E na continuação da jogada, no contra-ataque o Bilu acertou um belo chute e fez o gol para o América. A minha sorte que o bandeira Wladimir Zacarias correu até o meio-campo para me avisar do lance. E neste meio lance, o zagueiro Camilo confidenciou que colocou a mão na bola e disse que como tinha saído o gol do América eu não poderia mais voltar atrás. Mas ele não sabia do detalhe da regra, pois ainda não havia autorizado o reinicio do jogo, e que poderia marcar o pênalti como ocorreu”, contou Sálvio.

“O presidente do América no intervalo foi reclamar do lance. Eu perguntei se havia sido pênalti e ele disse que sim. Falei então eu acertei. Após o jogo, vou para minha casa, e jantando a televisão estava ligada no Jornal Nacional (da TV Globo). E na parte final do jornal, o William Bonner anuncia que ia passar um lance inusitado na Série A-2 do Paulistão, e foi justamente o lance do meu erro. Minha lambança ficou conhecida no país inteiro”, completou. Sálvio lembra ainda que após o pênalti, convertido pelo Etti Jundiaí.



Sálvio Spinola conversando José Henrique de Carvalho, da comissão de arbitragem da FPF.
E aquele erro custou caro para Sálvio. “Eu estava cotado para apitar a final do Paulistão daquele ano entre Corinthians e Botafogo de Ribeirão (na qual foi vencida pelo Timão), e por conta do meu equivoco aqui em Jundiaí fiquei de fora da decisão. Mas o bom é que duas semanas pela Série A-2 eu fui escalado para apitar um jogo do América de São José do Rio Preto, mostrando a minha competência”, disse.

Sobre o teste de arbitragem – Sálvio disse que os testes físicos para arbitragem estão dentro do que é exigido atualmente no futebol. “Este teste capacita se o árbitro apitar. Ele é difícil, mas segue um padrão que o professor belga Werner Hensen, que desenvolveu o teste atual. Antigamente era um cooper de 12 minutos, agora esta dentro da realidade que existe no jogo”, afirmou.


Profissionalização da arbitragem – Para o comentarista de arbitragem da ESPN Brasil, os árbitros e auxiliares de futebol já deveriam ser profissionais. Para ele, não precisaria de uma lei federal (como tramita no Congresso Nacional) para ocorrer, e sim a iniciativa partir das entidades que controlam o futebol no país. “O árbitro deveria dedicar-se 1º ao futebol e depois as outras atividades. Isto já ocorre em alguns países como Inglaterra, Argentina, México, Japão, Portugal e Suiça. Aqui caso algum dia seja feito, tem que ser feito um processo de transição, com os árbitros mais novos sendo profissionalizados, com o futebol sendo dedicado em 1º lugar e os árbitros mais velhos, que tem pouco tempo apenas de carreira continuando da maneira que começaram”, contou Sálvio. “O futebol cobra muito do árbitro, mas não oferece nada ao árbitro”, finalizou.