Rafael Porcari: Marcelo Bielsa e o conhecimento das regras - Esporte Jundiaí Esporte Jundiaí: Rafael Porcari: Marcelo Bielsa e o conhecimento das regras

16/08/2017

Rafael Porcari: Marcelo Bielsa e o conhecimento das regras


Tendo 2 goleiros “disponíveis para o jogo”, você pode jogar com 3 “guarda-redes”, mas sendo 2 de linha numa única partida – e por opção própria? Maluquice? Para o estudioso, workaholic e considerado louco por muitos, o treinador argentino Marcelo “El Loco” Bielsa, é uma situação possível!

Seu time, o Lille, foi protagonista de uma situação inusitada (de quem conhece as regras do futebol) no último domingo pelo campeonato francês, na derrota contra o Strasbourg (Placar: 0x3). Aos 12 minutos de jogo, o ex-sãopaulino Thiago Mendes se machucou e foi substituído (Bielsa teve que “queimar” a 1a substituição“). Aos 19 minutos, Macuit também sofreu lesão e entrou o ex-santista Thiago Maia (Bielsa teve que “queimar” a 2a substituição). Aos 38 minutos (tudo no 1o tempo), El Loco (por opção tática) mudou completamente o time e substituiu o lateral Fode Ballo por um atacante.

Entretanto, aos 63 minutos de jogo, o goleiro Maignan agrediu um jogador do Strasbourg e foi expulso. Como já não poderia substituir ninguém, Bielsa colocou o centroavante Nicolas dé Préville como goleiro. Nesse interim, o atacante-goleiro defendeu um ataque difícil e sofreu um gol. Mas como o treinador faz jus ao seu apelido, sem poder fazer substituições e querendo vencer a partida, aos 82 minutos radicalizou! Reposicionou o atacante (que estava no gol) como jogador de linha novamente, e colocou no gol o zagueiro Ibrahim (que tomou outros dois gols).

Após o jogo, Bielsa deu a entrevista como se fosse um jogo normal dizendo que “não estava arrependido por realizar as 3 substituições nem pelas trocas de goleiro-linha”. Louco ou não? Em tempo – qualquer jogador pode trocar de posição com o goleiro e quantas vezes o treinador desejar, desde que o jogo esteja parado, o árbitro seja informado e use uma camisa de cor diferente para o diferenciar. A questão é: “é saudável tal revezamento de goleiros num único jogo”?

Foto: Divulgação