Thiago Batista: Futebol do interior de São Paulo está literalmente morrendo.... - Esporte Jundiaí Esporte Jundiaí: Thiago Batista: Futebol do interior de São Paulo está literalmente morrendo....

20/08/2017

Thiago Batista: Futebol do interior de São Paulo está literalmente morrendo....


Se algo não for feito de imediato, o futebol profissional do interior do estado de São Paulo literalmente estará equivalente (se não for inferior) ao futebol amador praticado nas terras paulistas. A Copa Paulista desta temporada está um verdadeiro fracasso de público. Neste final de semana, Rio Branco e Desportivo Brasil, sem outra competição paralela, jogaram para um público de 62 pessoas no torneio. Mas os públicos pífios variam em toda rodada: Inter de Limeira e Atibaia para 305 testemunhas, Linense e Ferroviária jogaram para 286 pagantes, Mirassol e Velo Clube para apenas 96 torcedores. Detalhe: estamos apenas na 9ª rodada de 14 no torneio.

Somando-se o fato de clubes do interior do estado estão dando verdadeiros vexames no cenário nacional – w.o. do Mogi Mirim, Bragantino na zona de rebaixamento da Série C para a Série D do Brasileirão, Ituano não passando da 1ª fase da Série D do Brasileirão, a conclusão que se chega fazendo uma análise mais profunda é: o futebol do interior paulista está se definhando

Poucos clubes conseguem se estabilizar muito tempo em uma divisão no futebol paulista. Da Série A-1 de 2018, excluindo os 5 grandes (Palmeiras, São Paulo, Santos, Corinthians e Ponte Preta por pertencerem hoje a Série A Nacional), os que estão a mais tempo são Linense (desde 2011), Botafogo de Ribeirão Preto (2009), Ituano (2002). Depois são times que subiram recentemente: São Bento e Red Bull, de 2015.

Mas o cenário é pior nas Séries A-2 e A-3. Batatais e Guarani estão a mais tempo na A-2 – desde 2014 e na A-3 os que estão a mais tempo são Atibaia e Grêmio Osasco – desde 2015. O restante vem sofrendo com a gangorra, que está matando o futebol do interior paulista, com clubes tendo um novo elenco a cada seis meses, sem criar estabilidade, e também sem ter um calendário decente.

Pois todos os times do interior no 1º semestre – que dura quatro meses montam elenco pouco mais forte com objetivo de subir ou se manter na divisão que estão, e no 2º semestre para a Copa Paulista montam elenco mais fracos, com objetivo de manter clube na vitrine para quem saber por qualquer real vender um atleta – Copa Paulista de apenas 2/3 meses pode durar para uma agremiação. Com essa gangorra, não há torcedor que se interesse em assistir uma partida, não tenha interesse em ver o time da cidade jogar. Fora que os clubes do futebol profissional no interior se mostram cada dia mais desorganizados, sem planejamento, e cada um pensado apenas em si e não na coletividade.

Muitas equipes do interior de São Paulo levam banhos de times do futebol amador da própria cidade, seja na questão de divulgação, organização, planejamento e até mesmo na qualidade técnica dentro de campo. E a culpa pelo atual estado do futebol do interior bandeirante, não é da Federação, e sim dos clubes, das próprias agremiações, pois quem faz a FPF são os times e não os dirigentes engravatados da entidade que cuida do futebol paulista. Mas os dirigentes dos clubes parecem não se preocupar com quem deveria ser a sua própria paixão: o time da cidade, e quem sofre é o torcedor...