Thiago Batista: Estaduais, Copa do Nordeste e Copa Verde deveriam estar no mesmo “lixo” - Esporte Jundiaí Esporte Jundiaí: Thiago Batista: Estaduais, Copa do Nordeste e Copa Verde deveriam estar no mesmo “lixo”

16/01/2018

Thiago Batista: Estaduais, Copa do Nordeste e Copa Verde deveriam estar no mesmo “lixo”


Começa nesta terça-feira a temporada 2018 do futebol profissional do futebol profissional. Infelizmente com três porcarias que atrapalham o nosso calendário, dominando o 1º semestre: Campeonatos Estaduais (todos sem exceção), Copa do Nordeste e Copa Verde. Estas competições hoje não agregam nada aos clubes grandes e especialmente os pequenos do nosso fut. São verdadeiras enganações.

Os Estaduais foram importantes no Brasil, sim, até o final dos anos 90. Mas o mundo evolui. O Brasil evoluiu (sim, lentamente, mas temos mudanças), mas o futebol brasileiro em alguns aspectos ainda está na época da pedra. E para piorar a gente cria verdadeiros estrondos que atrapalham nosso calendário como Copa do Nordeste e Copa Verde.

A Copa do Nordeste não tem apelo algum. Apenas na decisão ela recebe uma atenção devida, como ocorre também com as definições dos Estaduais. Mas a história que tem estádios lotados, torcedores sempre acompanhando jogos é uma verdadeira MENTIRA! E para piorar inventaram agora uma fase pré-eliminatória, para definir classificados a fase de grupos da Copa do Nordeste. E os estádios estavam vazios. O confronto Náutico e Itaibaiana, no último domingo, pela 2ª partida da pré-eliminatória, teve apenas 4.805 pagantes na Arena Pernambuco. Um estádio que cabe mais de 40mil pessoas, tinha pouco mais de 10% da sua capacidade com torcedores. Um jogo “decisivo” para o Náutico, onde valia a chamada sua vida na Copa do Nordeste. O mesmo Náutico, ano passado, na 1ª rodada da Copa do Nordeste, no confronto contra Uniclinic-CE, levou 2.410 torcedores a Arena Pernambuco.

A série do Treze-PB e Cordino-MA pela mesma fase pré-eliminatória da Copa do Nordeste, na sexta-feira, teve 3.686 torcedores no estádio Presidente Vargas – em Campina Grande, que cabe 8.000 – nem 50% da capacidade para também um jogo decisivo. Este confronto, no jogo de ida, em Imperatriz, teve apenas 206 torcedores acompanhando o jogo, em um local que cabe 12mil pessoas.

Ano passado, na 1ª rodada da Copa do Nordeste, o jogo Fortaleza e Bahia, teve apenas 8.202 torcedores no Castelão – que tem capacidade superior a 60mil torcedores. Na 2ª rodada, o clássico Santa Cruz e Náutico levou 5.086 torcedores ao Arruda. Isso mesmo, 5.086! Este mesmo confronto na Série B do Brasileiro, com os dois clubes na zona de rebaixamento para a Série C – e bem condenados para a queda, na 33ª rodada, teve 8.564 torcedores. Ou seja, tivemos mais torcedores na Série B do que na Copa do Nordeste.

A Copa Verde, a decisão de 2017 entre Luverdense e Paysandu somente tivemos grande público no 2º jogo da final, quando mais de 26mil pessoas foram no Mangueirão, ver o Papão ser vice-campeão. Na ida, em Cuiabá foram apenas 1.859 na Arena Pantanal – adendo: o Luverdense é de Lucas de Rio Verde, que fica a 300lm de Cuiabá. Mas na semifinal, quando jogou no seu estádio, o clube de Lucas de Rio Verde teve apoio de 724 torcedores na vitória do seu time sobre o Rondoniense, por 3 a 1.

Sobre os Estaduais, nem vou colocar aqui públicos e rendas, pois temos muitos jogos com públicos baixos, inclusive em clássicos (tivemos ano passado uma semifinal da Taça Guanabara do Campeonato Carioca entre Vasco e Flamengo com menos de 7mil pagantes.

Alguns podem dizer que Copa Verde, Nordeste e Estaduais ajudam os clubes no nível técnico. Pergunta ao Sport ano passado, o que ele achou de jogar Copa do Nordeste, Pernambucano, Campeonato Brasileiro da Série A, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana. De tanto jogo, não conseguia se encaixar um jogo de Estadual ou Copa do Nordeste no calendário, e na reta final do ano, o time quase caiu para a Série B do Brasileiro. Em 2018, o Sport optou em não participar da Copa do Nordeste (tudo bem que tem também um viés político, televisivo nesta decisão).

Sobre os clubes pequenos, em vez de evoluírem estão se apequenando com os Estaduais. Ficam com calendário curto, e não conseguem saldar suas dívidas. E vou argumentar com um olhar de São Paulo. Em 2007, o futebol paulista tinha oito times na Série B do Brasileiro. Oito! Estavam Portuguesa, Marília, São Caetano, Ponte Preta, Grêmio Barueri, Santo André, Paulista e Ituano (na Série A no mesmo ano estavam os quatro grandes). Sabe quantos destes estão na Série B ou Série A do Brasileirão: apenas a Ponte Preta. Portuguesa, Marília, São Caetano, Barueri, Santo André, Paulista e Ituano estão sem divisão alguma no futebol brasileiro. Estão em nenhuma divisão nacional. E alguns ainda disputam a chamada 1ª divisão dos Estaduais (Ponte Preta, São Caetano, Ituano e Santo André).

Um dos maiores erros do futebol paulista é ter apenas 18 jogos para o campeão do Campeonato Estadual enquanto a Ferroviária jogar 24 partidas para vencer a Copa Paulista. O clube pequeno tem mais calendário na Copa Paulista (torneio foi de julho até novembro – 5 meses). A Série A-1 este ano para Ferrinha pode começar em 17 de janeiro e terminar em 11 de março, se não garantir vaga nos playoffs – torneio de menos de 3 meses. E se for até a decisão joga até 8 de abril – menos de 4 meses! Está certo um clube de futebol ter um calendário de apenas 4 meses ao longo do ano? (nem todos jogam a Copa Paulista, e para jogar pelo menos a Série D do Brasileiro tem que obter vaga no chamado Estadual).

Resumindo, está tudo muito errado. Erradíssimo.

Na minha opinião o que deveria ocorrer no futebol brasileiro é o seguinte:
- Clubes das Séries A, B, C e D do Brasileiro não disputam Campeonato Estadual ou Copa do Nordeste e Copa Verde em nenhuma hipótese.
- Séries A, B e C ao longo de toda a temporada, com jogos apenas aos domingos e competição em turno e returno
- Série D regionalizada, mas com calendário ao longo do ano (e poderia ter 96 times – como a Série C do Brasileiro poderia ter tranquilamente 24 clubes)
- Os clubes que não estão nas Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro ocorre o seguinte: disputam Estadual para clubes de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul e Minas Gerais (estados que tem bastante clubes profissionais). Paraná e Santa Catarina formariam um Regional. Clubes do Nordeste (mais Espírito Santo) jogam o Campeonato do Nordeste. Clubes do Norte jogam o Campeonato do Norte. Clubes do Centro-Oeste jogam o Campeonato do Centro-Oeste. Os quatro primeiros colocados dos Estaduais de SP, RJ, MG, RS e dos torneios do PR/SC, Nordeste, Norte e Centro-Oeste disputam em novembro o Brasileiro da Série E (teria 32 clubes), disputando quatro vagas de acesso a Série D.
- Os clubes que não estão nas Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro ocorre o seguinte: disputariam também Copas Estaduais ou Regionais (com os mesmos clubes) que disputam os Estaduais ou Regionais sem clubes das 4 divisões nacionais) em formato sempre eliminatório (pode ser jogo único) onde os vencedores garantiram vaga na Copa do Brasil.
- Copa do Brasil: Participam clubes das Series A, B, C e D do Brasileiro mais vencedores das Copas Paulista, Rio, Minas, Gaúcha, Nordestina, Nortista, do Centro-Oeste e do PR/SC.

O que gostaria é de ver um futebol de mais qualidade, com times podendo treinar ao longo de algumas semanas, e valorizar o Campeonato Brasileiro. Porque a competição menos valorizada ano passado com o calendário atual do futebol brasileiro foi o Brasileirão, que deveria ser a competição mais importante do nosso calendário (até mais que a Libertadores), mas o que temos aqui é uma completa inversão de valores. Por isso, vivemos em uma país que ainda tem complexo de vira-latas em vários momentos. E os Estaduais são isso...