Cristian Ribera, sobre ser porta-bandeira: “Uma honra poder ter carregado a nossa bandeira” - Esporte Jundiaí Esporte Jundiaí: Cristian Ribera, sobre ser porta-bandeira: “Uma honra poder ter carregado a nossa bandeira”

19/03/2018

Cristian Ribera, sobre ser porta-bandeira: “Uma honra poder ter carregado a nossa bandeira”

Cristian sendo o porta-bandeira do Brasil no encerramento da Paralímpiada de Inverno, neste domingo


Cristian Ribera teve uma emoção que poucos atletas brasileiros podem ter na vida: ser o porta-bandeira de uma delegação brasileira em uma Olimpíada ou Paralímpiada. O atleta do Peama-Jundiaí viveu esta emoção neste domingo. Com apenas 15 anos, ficou para ele a missão de carregar com patriotismo a bandeira brasileira no Estádio Olímpico de PyeongChang, na Coreia do Sul, no encerramento dos Jogos Paralímpicos de Inverno.


“Foi inexplicável a sensação de carregar a bandeira. Foi muita emoção. Uma honra poder ter carregado a nossa bandeira”, contou o jovem. Para ele, foi a valorização dos seus resultados na edição de 2018 dos Jogos Paralímpicos, onde em duas provas do esqui cross-country terminou no top10, sendo os melhores resultados de um atleta sul-americano na história de uma Paralímpiada de Inverno.


'“Todos nós da delegação brasileira tivemos bons resultados mas acredito que foi meio que a ‘recompensa’. O meu desempenho foi muito bom. Alcancei meus objetivos que eram principalmente melhorar minha marca e consequentemente consegui o histórico”, contou. Ele terminou em 9º lugar na prova dos 7,5km e em 9º nos 7,5km. Ele ainda foi 15º  no 1,1km e em 13º, junto com Aline Rocha, no revezamento misto 4x2,5km. “A minha melhor marca era 48 pontos nos 15km, e agora consegui 31 pontos”, contou o atleta – sendo que quando menos pontos, melhor é o resultado neste tipo de prova.


Cristian não esperava tanta repercussão pelos seus brilhantes feitos. “Para falar a verdade não. Pois a galera meio que julga algum esporte por ser diferente e tal e esse é exatamente um desses. Mais acho que eu dei um bom exemplo, para galera que não acreditava no potencial dos brasileiros na neve. E melhor ainda e saber que eu sou um dos pioneiros do esporte brasileiro com apenas 15 anos estou inspirando e mostrando para galera para nunca desistirem dos seus sonhos. Como eu falo: sou eu hoje, amanhã pode ser você”, disse.


O atleta espera que na próxima edição da Paralímpiada de Inverno, em 2022, em Pequim, na China, o Brasil tenha mais representantes. “A galera meio que discrimina os outros esportes, por ser diferente. Mas mostramos pra galera que quando você quer, consegue dar um jeito”, contou o jovem, que espera seguir praticando esportes de inverno, mas também os chamados esportes de verão.


“Foram os esportes de inverno que me abriram as portas, e vou continuar para quem sabe em 2026 beliscar uma medalha”, projeta. “Mas os meus próximos passos vão ser continuar com o compromisso nos treinos e mente focada e muita força de vontade pois esse sexto lugar cria bastante esperança de algum dia o Brasil conseguir um ouro nas Paralímpiadas de Inverno. E como muitos sabem eu pratico atletismo e natação e pretendo focar bastante no atletismo para algum dia representar também o Brasil nos Jogos Paralímpicos de Verão”, contou o atleta, que costuma treinar as provas de 100, 400 e 1.500 metros.


Os dias que ficou junto com outros brasileiros e atletas do mundo trouxeram algumas lições para o jovem. “Aprendi que temos que lidar diariamente para não criarmos ao nosso redor uma bolha social que tal pessoa só pode fazer parte do grupo se tiver alguma coisa parecida com os demais. E essa lição temos que levar ao mundo todo para que não, haja tanto preconceito só porque eu sou diferente de você”, contou. “E o povo coreano são muitos simpáticos e atenciosos”, completou.


Segundo a direção do Peama, o atleta chega no Brasil na próxima terça-feira, às 5h da manhã e deverá ir ao ginásio do Bolão, para receber uma grande recepção dos alunos e professores da instituição, entre 7h e 8h30 da manhã. E Cristian espera que sua família esteja com bastante felicidade pelos resultados que conquistou nesta Paralímpiada. “Se minha família estiver feliz e orgulhosa para mim já e algo fantástico”, completou.



Fotos: Comitê Paralímpico Brasileiro