05/12/2016

Thiago Batista: Nova Copa do Brasil! Porque não em todas as fases CBF?

Poucos perceberam (até pelo clima ruim que estava no país por causa da tragédia futebolística com a Chapecoense), mas a CBF anunciou mudanças importantes na Copa do Brasil. Mudanças que mudam a “cultura” da competição. A principal delas é a introdução em uma fase da vantagem do empate em uma competição exclusivamente disputada em sistema eliminatório, playoff ou mata-mata (você escolhe o termo).

As duas primeiras fases da Copa do Brasil serão disputadas em jogo único, saindo do consagrado sistema de duas partidas, ou da eliminação da disputa do segundo confronto se a equipe visitante vencesse por dois ou mais gols de diferença. Entra agora especificamente na primeira fase, o time de pior ranqueamento nacional jogar em casa, mas a vantagem do empate será das equipes que jogarem como visitante. Ou seja, nada de pênaltis nos primeiros duelos da Copa do Brasil. E isso é bom. Mas poderia ser melhor. A vantagem do empate poderia ser introduzida em todas as fases da competição e não exclusivamente na primeira fase. Nas outras fases do torneio, a vaga pode ser definida nas cobranças de pênaltis.

Isso é bom, deixar claro na minha opinião, pois eu não gosto de disputa de pênaltis. Detesto. Cobranças de pênaltis não é futebol, é um outro esporte dentro do futebol. Podem me dizer que estou maluco. Mas vamos aos meus pontos de vista. Futebol não é um esporte coletivo? Futebol não é um esporte de 11 atletas? Futebol não é um esporte que o conjunto e o entrosamento são importantes para uma equipe ter sucesso? Então porque a definição de um time seguir ou não na competição tem que ser numa disputa extremamente individual?

Pois a disputa de pênaltis é uma disputa um contra um: um goleiro contra um atleta de linha. Não há nada de coletivo nas cobranças de pênaltis, pois a execução feita pelo atacante tem que ser direta, com apenas um chute direto ao gol, onde o goleiro tem a chance de fazer a defesa ou ter a sorte da bola bater no travessão ou para fora. E só.

Alguém pode argumentar: mas quando ocorre um pênalti no tempo regulamentar de uma partida, é uma disputa individual. Ledo engano! Até numa cobrança de penal durante o percurso normal de um jogo, a execução pode ser feita em mais de um toque? Ou alguém não lembra da beleza da cobrança feita pelo Lionel Messi em fevereiro deste ano no Campeonato Espanhol? Ou da esperteza do Cruyff, em um lance pelo Ajax, em 1982? Nas cobranças de pênaltis não pode ser executada em dois toques, pois não tem a quem passar a bola.....

Outro argumento é que o futebol pode ser decidido em um lance individual dentro do jogo. Mas para este lance individual ocorrer, tem todo um coletivo. Mas antes do centroavante do seu time fazer um golaço, em chute da entrada da área, um meia ou volante passou a bola. Para um belo gol de falta do meia do seu time, alguém sofreu uma falta. Muitos lances belos individuais feitos por um atleta tem a finalização da jogada quando um companheiro seu finaliza bem a gol. O futebol é um esporte coletivo.

Por isso, a disputa de pênaltis para definir a classificação de um time é um outro esporte. Não é futebol. Pois eu gosto de ver a disputa coletiva neste esporte, e não uma disputa individual. Pois se fosse uma modalidade de um contra um, não estaríamos invariavelmente nas nossas conversas seja na internet, programas da mídia ou nas conversas de bar, falar sobre variações táticas ou como um time deixou espaço para o outro....

Por isso, CBF coloque em todas as fases da Copa do Brasil a vantagem do empate para o time de melhor ranqueamento nacional, tratando o futebol como ele é – um esporte coletivo. Pois para mim, eu sempre lembro de um belo gol dentro de um jogo, pois alguém lembra de um gol +- bonito em disputa de pênaltis? Na minha memória é sempre deletada.....

PS: Acho justo usar o ranking nacional de clubes da CBF ser o critério para definir qual time terá a vantagem de jogar pelo empate. O ranking contabiliza apenas os resultados de um time em competições nacional nos últimos cinco anos, pegando uma linha de corte recente de sucessos ou insucessos dos clubes. O ranking nacional da CBF é perfeito por dar mais peso aos anos recentes, e as competições mais importantes terem mais pesos do que torneios de menos peso.

A Nova Copa do Brasil para você entender:
- 91 clubes e 120 partidas serão realizadas
- Primeira fase - com 80 clubes 70 clubes oriundos das competições estaduais e 10 pelo Ranking de Clubes da CBF. Fase em jogo único. Sorteio para definição dos confrontos. Em cada confronto os times melhores ranqueados visitam os de pior ranking. Vantagem do empate para os visitantes se classificarem. Não há disputa de pênaltis. Divisão de renda: 60% para o classificado e 40% para o eliminado.

- Segunda fase - com 40 clubes - Fase em jogo único - Confrontos seguem o diagrama estabelecido no sorteio para formação dos duelos da primeira fase. Mando de campo definido por sorteio. Empate no jogo a definição do classificado será nos pênaltis. Divisão de renda: 60% para o classificado e 40% para o eliminado.

- Terceira fase - com 20 clubes – Fase de jogos em ida e volta. Confrontos seguem o diagrama estabelecido no sorteio para formação dos duelos da primeira fase. Sorteio para definição dos mandos de campo. A partir desta fase entra o critério do gol qualificado, caso a soma dos placares terminem em empate. Se persistir igualdade na soma dos placares e nos gols marcados como visitante, a definição do classificado será nos pênaltis.

- Quarta fase - com 10 clubes – Fase de jogos em ida e volta. Sorteio para definições dos confrontos e dos mandos de campo. Vale o critério do gol qualificado, caso a soma dos placares terminem em empate. Se persistir igualdade na soma dos placares e nos gols marcados como visitante, a definição do classificado será nos pênaltis.

- Oitavas de final - com 16 clubes – Entram os cinco clubes classificados da Quarta Fase + os sete clubes brasileiros participantes da Taça Libertadores + Chapecoense como campeão da Copa Sul-americana de 2016 (deverá ser confirmado pela Conmebol no dia 21) + campeão da Copa do Nordeste 2016 (Santa Cruz) + campeão da Copa Verde 2016 (Paysandu) + campeão brasileiro da Série B de 2016 (Atlético Goianiense). Fase de jogos em ida e volta. Sorteio para definições dos confrontos e dos mandos de campo. Vale o critério do gol qualificado, caso a soma dos placares terminem em empate. Se persistir igualdade na soma dos placares e nos gols marcados como visitante, a definição do classificado será nos pênaltis.

- Quartas de final - com 8 clubes – Fase de jogos em ida e volta. Sorteio para definições dos confrontos e dos mandos de campo. Vale o critério do gol qualificado, caso a soma dos placares terminem em empate. Se persistir igualdade na soma dos placares e nos gols marcados como visitante, a definição do classificado será nos pênaltis.

- Semifinal – 4 clubes – Fase de jogos em ida e volta. Sorteio para definição do mando de campo. Confronto definido por diagrama estabelecido durante sorteio para formar os duelos de quartas de final. Vale o critério do gol qualificado, caso a soma dos placares terminem em empate. Se persistir igualdade na soma dos placares e nos gols marcados como visitante, a definição do classificado será nos pênaltis.

- Final – 2 clubes – Fase de jogos em ida e volta. Sorteio para definição do mando de campo. Não vale o critério do gol qualificado, caso a soma dos placares terminem em empate. Caso ocorra igualdade no placar agregado do confronto a definição do vencedor da Copa do Brasil será nos pênaltis. Campeão garante vaga na Copa Libertadores de 2018.

Por Thiago Batista – criador e responsável pelo Esporte Jundiaí



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