Adeus mestre! Esportistas e jornalistas de Jundiaí lamentam morte de Ernesto Steaheli - Esporte Jundiaí

22/12/2017

Adeus mestre! Esportistas e jornalistas de Jundiaí lamentam morte de Ernesto Steaheli


A sexta-feira foi de luto no esporte de Jundiaí. Todos acordaram chocados com o falecimento de Ernesto Steaheli Neto, aos 55 anos de idade, vítima de infarto. Ele trabalhou por 21 anos no Clube Jundiaiense, com o polo aquático da cidade. Seu corpo foi sepultado no final da tarde no Cemitério Nossa Senhora do Desterro. Esportistas de Jundiaí e jornalistas que acompanharam a carreira de Ernesto, não apenas nas piscinas, mas também nas quadras, e falaram sobre a importância dele no esporte da cidade.

O último trabalho de Ernesto Steaheli Neto ocorreu no último domingo, quando levou o polo aquático do Clube Jundiaiense a participar da 7ª edição do Polo no Rosa, na Praia do Rosa, em Imbituba, no litoral de Santa Catarina, quando a equipe de Jundiaí terminou com o vice-campeonato. Um torneio disputado em águas abertas, diferentemente do que ocorre no polo aquático, que é disputado em piscinas.

Ernesto junto com o elenco que foi vice-campeão do Polo no Rosa, no litoral catarinense, no último domingo
Edison Luiz Mina, treinador do basquete masculino do Time Jundiaí, disse ter perdido um amigo nesta sexta-feira. Eles chegaram a se enfrentar não nas piscinas, mas nas quadras de basquete.  “Um grande amigo, uma grande personalidade a mais de 40 anos. Perdi um de meus melhores amigos e incentivadores do meu trabalho no basquete pois sabia o quanto lutamos para fazer um basquetebol melhor para Jundiaí. Fui amigo dele e do irmão que também faleceu bestialmente num acidente de carro, anos atrás. Chegamos a ser adversários quando eu jogava pelo Regatas de Campinas a mais de trinta anos atrás, quando éramos juvenis e apesar de toda rivalidade, nunca fomos inimigos. Somos jundiaienses de coração e chegamos a jogar juntos pelo Clube Jundiaiense, e também em outros campeonatos na cidade. Tinha um apelido de Chucro, sem nenhuma falta de respeito. Tenho um respeito enorme pelo seu trabalho, pela sua luta junto ao polo aquático jundiaiense e brasileiro, formando grandes atletas e pessoas.   Muito triste sua perda, e que Deus o receba de braços abertos, como foram suas braçadas nas piscinas! Deus conforte a toda família neste momento”, disse.

Ernesto com a medalha e troféu conquistados no final de semana
O jornalista Fábio Estevam, lamentou o falecimento de Ernesto. "O entrevistei por inúmeras vezes enquanto repórter do Jornal de Jundiaí. Sempre atencioso e um profissional sério. Me lembro, inclusive, da seriedade com que levava um simples treino de sua equipe. O esporte de Jundiaí perde muito com sua morte". Para Moacir Regra, comandante do vôlei feminino do Time Jundiaí, o esporte perde um profissional exemplar. “Um professor muito dedicado e batalhou sempre pelo crescimento do polo aquático na cidade, uma grande perda para o esporte é uma excelente pessoa”.

João Carlos Coutinho, repórter do Jornal da Cidade, lembrou uma boa história de Ernesto, já no comando do polo aquático do Clube Jundiaiense. “Ernesto foi um exemplo de treinador é amante do esporte, sobretudo do polo aquático. Custo a acreditar nesta lacuna que ele vai deixar em Jundiaí. Era um homem determinado no que fazia e abriu a modalidade até para o meio internacional ao trazer jogadores estrangeiros para clínicas no Clube Jundiaiense, tudo objetivando o crescimento da modalidade. Conheci ele já em 1993 quando repórter do Jornal de Jundiaí. Acompanhei finais históricas de sua equipe contra o Pinheiros, tradicional rival do Azul e Branco Clube Jundiaiense, numa piscina fria e sem muita limpeza no Bolão. O Clube Jundiaiense venceu e a alegria estampada no rosto de Ernesto era latente. Sentimentos a toda família.

Ernesto era casado com Magali Staeheli, com quem conviveu junto entre namoro e casamento por 32 anos – completados recentemente no dia 11 de novembro – com direito a postagem romântica de Magali nas redes sociais. O casal tinha uma filha, Isadora, que completou 16 anos, também recentemente, no último dia 24 de novembro.

Secretário de esportes de Jundiaí entre 2013 e 2016, Cristiano Lopes, falou sobre a importância de Ernesto com o desporto na cidade. “Dificilmente Jundiaí terá outra pessoa tão especial como foi ele para o polo aquático. Nós, associados do Clube Jundiaiense e esportistas estamos de luto”, declarou. 

Em 2015, Ernesto foi um dos três indicados ao prêmio Troféu Camisa 10, do extinto programa Camisa 10 da TVE Jundiaí. Enfrentou concorrentes de peso como a treinadora de handebol de Jundiaí, Rita Orsi, e Alessandro Tosim, da seleção brasileira de goalball. E no voto popular, Ernesto venceu a disputa conquistando o prêmio de melhor treinador do ano, no esporte de Jundiaí.

Ernesto recebendo o Troféu Camisa 10, de melhor treinador do esporte jundiaiense, em 2015
Rita Orsi, atualmente diretora do Departamento de Formação e Rendimento da Unidade de Gestão de Esporte e Lazer da Prefeitura de Jundiaí, contou que Ernesto era um apaixonado pelo polo aquático. “Muito triste, uma perda de uma pessoa iluminada, apaixonada abnegada, encantadora, que encantou muitos jovens na beira da piscina, lutando por uma modalidade. Mas prefiro dizer que muitas pessoas ganharam com ele, jovens, famílias, com Ernesto, com seus ensinamentos, com que ele envolveu atletas e essa modalidade que é tão difícil em nosso país, com pouco reconhecimento, pouco investimento. Ele deixou muitas marcas, significavas, marcas do bem, porque sempre foi um grande exemplo de educação, como formou e levou as gerações de esportistas na modalidade. Uma perda de uma pessoa que com certeza levava pela paixão e carinho a modalidade e tenha deixado legado com pessoas em Jundiaí e no estado que aprenderam com ele”.

Ernesto com todos os premiados na ocasião do Troféu Camisa 10
Alessandro Tosim, treinador de goalball da seleção brasileira, contou que o polo aquático de Jundaí perde um grande líder. “Era uma pessoa bastante envolvida com a modalidade. Perdemos uma pessoa do bem, e a modalidade vai perder o seu grande comandante”

Nesta temporada, Ernesto realizou um Torneio Municipal sub-13 e sub-15 de polo aquático, que envolveu além do Clube Jundiaiense, as equipes do Unianchieta e do Sesi Jundiaí, mostrando o seu envolvimento com a modalidade na cidade, não era restrito apenas nas piscinas do Clube Jundiaiense. Jundiaí era uma das três únicas cidades do interior a nesta temporada disputar em alguma categoria o Campeonato Estadual da Federação – as outras eram Ribeirão Preto e Bauru. Os outros times eram da capital.

Luiz Trientini, gestor da Unidade de Gestão de Esporte e Lazer da Prefeitura de Jundiaí, disse que se fosse resumir em uma palavra o que representa o Ernesto é a tristeza. “Esporte de Jundiaí está de luto. Não é apenas polo, os amigos, o Trientini, é o esporte de Jundiaí. 30 anos de polo aquático e era referência onde passava, por tudo que ele conseguiu fazer, pelas dificuldades que uma modalidade que não é simples, até por questão por exemplo de espaço. Ele foi competente, produziu jogadores para seleção brasileira, conquistou títulos estaduais e nacionais. As pessoas não são substituíveis, pode vir alguém até melhor, mas igual ele não”, contou. “A gente tinha uma relação excelente dentro do esporte. Sou um pouco mais velho que ele, a gente criou um respeito grande entre a gente. Quem passa no esporte, sabe o que uma pessoa implantar a modalidade e durar tanto tempo. Manter a modalidade em alto nível, com atletas da cidade, contra equipes de forte infraestrutura é de tirar o chapéu”, completou.

Fotos: Facebook - Magali Steaheli, Arquivo - Prefeitura de Jundiaí, e Arquivo - TVE Jundiaí