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26 de setembro de 2018

Que aula! Milton Leite passa dicas de jornalismo para alunos




O jornalista e narrador do Sportv Milton Leite viveu uma situação diferente nesta terça-feira na UNIFACCAMP, em Campo Limpo Paulista. Em vez de relatar as emoções de um jogo, de comentar as atuações dos jogadores, ou de fazer perguntas a destaques da partida, teve que encarar uma série de perguntas dos estudantes de comunicação (e de outras áreas) da instituição. E craque como ele, dominou no peito todos os passes que recebeu e com a sua poderosa voz respondeu a todas as perguntas, sem ficar em cima do muro. E também passou grandes dicas aos estudantes. 

Para quem deseja seguir na carreira de comunicação, foi enfático - é sempre importante aprender. “Quem deseja seguir no jornalismo tem que ler bastante. Ler Machado de Assis, Eça de Queiroz. Ter bastante vocabulário para estar preparado para todas as situações”, disse Milton Leite, que trabalhou na imprensa jundiaiense entre o fim dos anos 70 até a metade dos anos 80 (passando por Jornal de Jundiaí, Rádio Difusora, Jornal da Cidade e Rádio Santos Dumont - hoje Rádio Cidade).


Milton é um leitor constante. Ele esteve presente na decisão da Copa de 1998 entre Brasil e França e vivenciou a situação de ter que anunciar que Ronaldo inicialmente não jogaria a decisão. Mas para o narrador, um livro de um importante escritor brasileiro traz o que pode ter acontecido naquele 12 de julho. 

“O livro do Jorge Caldeira onde tem o Ronaldo com uma bola de futebol sob a cabeça (Ronaldo - Glória e drama no futebol globalizado, da editora 34 - 2002) traz que o Ronaldo pode ter sofrido um distúrbio de sono e não o que foi chamado de ataque epilético”, disse Milton, aos estudantes da UNIFACCAMP. 

“No dia da final, a gente foi cedo para o estádio (Milton trabalhava na Espn Brasil) e ninguém ficou no hotel. Apenas um helicóptero da Globo que ficou sobrevoando. A 1ª notícia chegou a bancada 1h30min antes do jogo, onde o Ronaldo não jogaria com um problema no joelho. Uma hora antes da partida vem a escalação com Edmundo no lugar de Ronaldo. No meio deste tempo, o Ronaldo foi para o hospital, foi depois para o estádio e disse que estava preparado para a partida. O Brasil naquele dia não aqueceu no campo. E apenas faltando 10 minutos para o jogo começar, foi que veio a escalação com o nome do Ronaldo”, relatou.



Ao ser perguntado por uma professora de como os estudantes da UNIFACCAMP podem chegar próximo ou igual ao nível que ele chegou, Milton passou verdadeiras dicas. Confira a resposta no vídeo abaixo.


Milton cobriu cinco Copas do Mundo (1998 pela Espn Brasil, 2006 - 2010 - 2014 e 2018 pelo SporTV). Narrou três finais (1998, 20010 e 2018) e se sente um privilegiado por narrar decisões de Mundial, mas o grande jogo que narrou na carreira em Copas, foi uma partida das quartas de final. 

“Foi o Uruguai e Gana de 2010, que tinha muita história envolvida e um lance que marcou, que foi a mão do Suaréz, que evitou um gol dentro da área no minuto final da prorrogação. Gana teve o pênalti e se convertesse seria o 1º país africano a chegar a uma semifinal de Copa. Mas o rapaz perdeu o pênalti e a cena do Suaréz comemorando o erro da penalidade do ganês é marcante. E depois o Uruguai venceu nos pênaltis. Foi um jogo incrível da Copa”, contou sobre o jogo que terminou 1 a 1 após 120 minutos disputados e terminou com vitória da seleção sul-americana nos pênaltis por 4 a 2.



O narrador disse que no Brasil o jogo que mais marcante que narrou foi o 1 a 1 entre Corinthians e Palmeiras pelo Paulistão de 2009, quando Ronaldo marcou o 1º gol com a camisa alvinegra. “Modéstia à parte a narração do gol casou direitinho com tudo que aconteceu e a emoção que teve”, afirmou. Milton tinha preparado uma frase para o 1º gol de Ronaldo no seu retorno ao Brasil - “Senhoras e senhores o Fenômeno voltou” - e ficou marcado nesta narração.



O pior jogo que teve narrar por ter sido de qualidade tão ruim apresentada, ele não titubeou. “Foi um Vasco e Palmeiras, que fiz tanta brincadeira, que me destaquei por conta disso, pois o jogo foi muito fraco”, lembrou, quando narrou o empate sem gols entre as duas equipes, em São Januário, pelo Brasileirão de 2010.


Quando foi colocado na “parede”, sobre três coisas o que foi mais difícil para narrar, o jornalista respondeu na hora, sem papas na língua. Confira a resposta no vídeo abaixo.


O locutor esportivo também disse que sua preparação vem do seu conhecimento e vivência do futebol e esporte no dia-a-dia, mas faz uma preparação específica para o jogo que irá transmitir já no dia anterior. “Eu não bebo na véspera do jogo e para mim ter uma voz boa é fundamental eu dormir bem”, disse um dos seus segredos. 

Sobre narradores que deverão ter grande destaque no cenário nacional, Milton Leite citou dois nomes especificamente - Gustavo Villani e Everaldo Marques. Ele contou também sobre um programa para obter novos talentos feito pelo SporTV, em 2016, foram contratados 7 narradores. “O setor de narração despertou muita gente especialmente a TV por assinatura. Criou um mercado que tem gente”.


Sobre o futuro das transmissões esportivas e da comunicação em si são as transmissões por streaming e aplicativos (internet). Para ele demorou para chegar no Brasil. “Já aconteceu, de eu estar narrando um jogo, e da cabine observar um torcedor no estádio, que após acompanhar o lance, pegar o celular para ver o replay do lance no aplicativo. É um caminho sem volta”. 

Mas Milton alertou que esse futuro no Brasil pode demorar para se consolidar em virtude da qualidade da internet. “A internet no Brasil é um lixo e que transmite neste meio, talvez se enrosque no começo. Aqui pode demorar para crescer pois a internet é de chorar”.


Que aula! Milton Leite passa dicas de jornalismo para alunos Que aula! Milton Leite passa dicas de jornalismo para alunos Reviewed by Thiago Batista on 02:12 Rating: 5