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26 de fevereiro de 2019

Thiago Batista: Futebol feminino não tem público na Europa



Sai ano, entra ano e sempre algo é comentando por muitas pessoas: falta apoio ao futebol feminino no Brasil, ninguém transmite os jogos dos campeonatos de futebol feminino em nosso país, poucos acompanham os jogos de futebol feminino nos estádios brasileiros. Isso tudo é fato. Mas se eu falar que isso também ocorre na Europa, você irá acreditar. Pois bem, acredite.

Estive na semana passada observando a média de público da Liga dos Campeões de futebol feminino - temporada 2018/19. Apenas cinco times levam média superior a 2.500 por jogo na competição. 32 clubes jogam o torneio e a média geral é de 1.654, nos 48 jogos que teve. Média 28 vezes menor se comparado a Liga dos Campeões masculina - média de 46.799 por jogo na atual edição. Também como comparação, a Liga Europa masculina tem média de 21.869 torcedores por jogo na temporada 2018/19.

Pelo menos a média da Liga dos Campeões feminina supera a média da Liga dos Campeões de juniores - 827 está a média na atual edição. Mas ainda são é muito pouco, pela Europa valorizar o futebol feminino com estrutura e ótimas condições para as atletas mostrarem o seu talento, ter média abaixo de 1.700 por jogo na principal competição do continente entre clubes do futebol feminino.

A maior média como mandante é do Kharkiv, da Ucrânia, com 6mil torcedores no seu único jogo em casa no torneio, seguido de perto do Bróndby, da Suécia, com média de 5.753 nos dois jogos que teve no seu estádio. O Ryavan, da Rússia, no único jogo que teve em casa levou 4.500. O Zurique nas duas partidas como equipe da casa no torneio teve 3.721 em média. O Kazygurt, do Cazaquistão, levou 2.800 na única partida em casa que disputou. Excelentes médias. Mas depois a média de público é regular ou ruim.

O pior é clubes com bastante torcida nos seus países, com muito sucesso no futebol masculino não levam torcedores e torcedoras nos seus jogos. O melhor é o Barcelona, que levou 1.653 torcedores em média nos dois jogos que disputou em casa. O Ajax somente levou em média 1.391.  A Juventus registrou média de 1.001 torcedores nos jogos da sua equipe feminina na Liga dos Campeões. O PSG que fez investimento pesado na modalidade levou 791 apaixonados nos jogos da sua equipe feminina. O Chelsea 736. O Bayern de Munique 657.

Muito se fala que os clubes brasileiros não fazem nada pelas equipes femininas. Ontem foi lançado os grupos do Paulistão feminino com algum destaque na mídia. Competição que terá as presenças das quatro grandes camisas de São Paulo pela primeira vez após muito tempo: Palmeiras, Santos, São Paulo e Corinthians. O site da FPF colocou a notícia como capa do seu site, destacando a volta do clássico Choque-Rei. Mas precisamos saber do porque o torcedor e a torcedora não ter interesse em assistir os jogos de futebol feminino.

No Brasil, 90% dos jogos de futebol feminino tem entrada gratuita, e apenas finais e algumas vezes as semifinais temos públicos considerados bons. Jogos de primeira fase não chamam nenhuma atenção. Falta marketing? Falta divulgação? Ou o futebol feminino não chama atenção de quem gosta de futebol?

Quando o Paulista tinha futebol feminino em parceria com a Prefeitura de Jundiaí, poucos se interessavam em acompanhar os jogos. Mas para detonar as meninas nas redes sociais era velozes ao extremo.

Pelo que observamos o futebol feminino somente chama atenção com seleções com Copa do Mundo e Olimpíada. Os amistosos chamam atenção em alguns momentos. E posso dizer: o futebol feminino tem muito jogo bom, inclusive disputa tática. Na última Olímpiada, já vi uma evolução grande na posição das goleiras, que era um problema da modalidade. Mas depois da Olímpiada, pouca atenção se deu no Brasil ao futebol feminino por exemplo. O Brasileirão que tinha transmissão na televisão se perdeu. A Libertadores feminina, que foi disputada em Manaus, somente a final foi transmitida, relegada ao final (final mesmo) da noite de um domingo.

Fiquei contente que este ano, a TV Globo vai transmitir os jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo. Mas falta interessa nas pessoas em ver o futebol feminino como uma modalidade legal. E isso é no mundo, pelos números que apresentei no começo.

Qual a conclusão que chego: infelizmente ainda os clubes no futebol feminino não fazem a gente chamar a atenção por um bom período do ano. Ficar restrito a Copa do Mundo ou Olímpiada, em torneios de um mês que não acontecem de forma anual, é muito pouco para a modalidade. Precisa de mais. E para mim precisa
precisa copiar algo que deu certo no vôlei.

Para mim o futebol feminino precisa urgente ter uma grande competição anual e mundial de seleções - como foi a Liga Mundial no naipe masculino e o Grand Prix no naipe feminino - hoje ambas se chamam Liga das Nações, e possuem o mesmo peso.

Se o futebol feminino tiver uma vitrine como uma competição de seleções de forma anual que dure dois ou três meses do ano, certamente fará aumentar o interesse das pessoas, que irão querer saber se o seu clube tem atletas convocadas, em querer assistir os jogos de futebol feminino dos seus clubes, e assim aumentar a média seja na Europa ou no Brasil de torcedores. E a modalidade crescer.  E quem sabe ter mais mulheres praticantes.

O futebol feminino precisa de vitrine. E a sua maior vitrine hoje são as seleções - com mais tempo e uma competição anual pode ser o começo para a modalidade crescer como deveria ser - ter espaço próximo ou igual ao futebol feminino.
Thiago Batista: Futebol feminino não tem público na Europa Thiago Batista: Futebol feminino não tem público na Europa Reviewed by Thiago Batista on fevereiro 26, 2019 Rating: 5

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