10/05/2020

Futebol de SP sairá da pandemia 40% mais pobre, diz presidente da FPF



“O futebol não é exceção. Toda a sociedade está sofrendo e vai se modificar. Estamos todos nos reinventando, tanto na parte material, mas também na parte mental”, disse em entrevista a Revista Veja, o  presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos.

Ele defende os interesses de um quarto dos clubes que estão no grupo de elite do esporte nacional, e está com os pés no chão. Mas, é claro, tem na cabeça os prejuízos causados pela paralisação em virtude do coronavírus.

Na entrevista ele deixou claro a situação que os clubes da Série A3 estarão passando. “No caso dos times da Série A3, a maioria dos jogadores tinha contrato até maio, quando acabava a competição. Esses estão sofrendo também, negociando com os atletas. Mas esse mês acaba sua maior despesa, que é com a folha de pagamento de futebol. Na A2, apenas São Bento (Série C) e São Caetano (Série D) disputam competições nacionais. Os outros clubes, também encerram no próximo dia 30. Será difícil cumprir esse último mês, certamente. Mas também tem uma luz no fim do túnel. Agora, na primeira divisão, a exceção seriam Santo André, Água Santa e Inter de Limeira, que não tem competições nacionais”, afirmou.

Carneiro Bastos disse que a pandemia provocará um duro baque nas receitas dos quatro grandes times de São Paulo. O Bragantino, o quinto clube paulista na primeira divisão do Campeonato Brasileiro, seria a única exceção, mas sofrerá por uma consequência de outra crise, a cambial. E na visão do dirigente, é justamente o grupo que mais fatura o mais prejudicado pela crise.

Sobre a retomada do Paulistão ele ainda está otimista. “Estamos diante do cenário que é mais possível. Nós temos apenas seis rodadas por fazer. Dos dezesseis clubes que disputam o campeonato, em apenas duas rodadas ficam apenas os oito classificados para a próxima fase. Após a terceira data de jogos, sobram apenas quatro times. Ou seja, isso simplifica a organização. Mas em todas partidas respeitaremos os mesmos protocolos de saúde. Quando possível, poderemos retomar o campeonato com segurança para todos os envolvidos”, contou.

Para Carneiro, o drama será igual para todos os times do estado de São Paulo. “Os grandes clubes podem até ter receita maior, contratos mais generosos, mas suas despesas e compromissos também são muito maiores. Se analisarmos a situação dos clubes que fazem parte do calendário nacional de competições, esses times têm contrato com atletas de mais de um ano de duração. Os menores, como por exemplo 90% da segunda divisão de São Paulo, não tinham sequer registrado atletas. Então enquanto essas equipes ficarem sem atividade, seu custo fixo é muito pequeno. É difícil, é. É um drama, é. Mas eles não têm folha de pagamento alta”, disse.

Por Thiago Batista /// Foto: Divulgação
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