A publicação da Medida Provisória 984/20 acabou com a obrigação de anuência do visitante para televisionamento de partidas de futebol e mexeu com as estruturas das transmissões esportivas no país. Torcedores e profissionais da área se viram inseridos em um novo cenário, em que a parcialidade é bem-vinda, ainda que os rivais também estejam entre os espectadores. E na primeira vez em que a FluTV exibiu imagens, na decisão da Taça Rio, contra o Flamengo, o narrador Anderson Cardoso precisou conviver com elogios e críticas. Em conversa com o LANCE!, ele classificou como normal o fato de alguns ainda não entenderem as mudanças dos novos tempos.

“Muita gente acho que não entendeu a proposta. É um canal do torcedor do Fluminense. Se você é de fora, seja bem-vindo, mas não queira ser agradado como o torcedor tricolor. Não se adota mais a imparcialidade, mas sim a parcialidade firme e forte. Recebi críticas por não falar o nome dos jogadores do Flamengo, mas achei legal porque, já que a intenção é agradar o torcedor do Fluminense, o outro torcedor tem que estar mesmo um pouco espezinhado. Faz parte daquela brincadeira saudável, mantendo o respeito. São novos tempos para todos os que trabalham na área da comunicação e temos que extrair o que for positivo”, explicou Anderson.

A equipe da FluTV foi chamada de última hora para a transmissão, a primeira de 2020. Além do narrador, trabalharam os comentaristas Phil, Marcello Pires e Rogerio Ribeiro e a repórter Claudia Magalhães. Os profissionais, no entanto, já haviam tido experiência semelhante na reta final do Brasileiro do ano passado, apenas com áudio, o que acabou servindo de laboratório para a última quarta-feira.

“Foi muita adrenalina montar a equipe novamente de última hora. A sorte foi que já havíamos feito aquele ensaio no ano passado. Até brinquei que estávamos mais entrosados do que o time do Fluminense porque já vínhamos trabalhando juntos desde o final do Brasileiro. Mas foi um trâmite diferente. Nunca havíamos feito com as imagens, é um outro equipamento, outra produção, outra pegada. Então foi um pouco de improviso. Matamos no peito e tentamos passar o melhor, foi isso mais ou menos, o que a gente fez. Todo mundo ficou muito satisfeito com o resultado final”, comemorou o narrador.

Por Redação Esporte Jundiaí