O Brasileirão 2020 já começou, e as 20 equipes da Série A lutarão por diferentes objetivos ao longo das 38 rodadas disputadas até fevereiro de 2021. Alguns clubes podem figurar na busca pelo G-4; outros já deverão travar batalhas mais duras contra o rebaixamento à segunda divisão.

E os paulistas; como entram os quatro grandes do estado para a competição? Em outros tempos, Corinthians, São Paulo, Santos e Palmeiras poderiam aparecer como os principais candidatos ao troféu do Brasileirão. Porém, para 2020, os prognósticos são diferentes, muito em função do futebol apresentado no Paulistão, que deve dar a tônica para o restante desta temporada.

 

O saldo do Paulistão 2020

O Palmeiras venceu o Campeonato Paulista após empatar os dois jogos contra o Corinthians pelas finais e superar o Alvinegro nas penalidades máximas. Os cofres do clube alviverde ‘agradeceram’ os cerca de R$ 34 milhões arrecadados entre premiações, direitos de transmissão e premiações da Federação.

 


Porém, apesar do saldo positivo, o desempenho em campo ficou aquém do esperado, pelo menos é o que foi defendido por comentaristas esportivos do país. O jornalista Mauro Cézar Pereira, da ESPN, comentou o resultado de 0x0 da primeira final em Itaquera, lamentando o fraco futebol apresentado pelas equipes.

 

“Acho que deveriam ir direto para os pênaltis. Nem ter jogo, assim nós seríamos preservados de um espetáculo lamentável, até porque vai ter jogo da Liga dos Campeões no horário, nós teríamos uma opção de ver um jogo, de repente, muito mais interessante, e os pênaltis. Bate pênalti, acabou, beleza”, declarou Mauro.

 

O também jornalista Juca Kfouri, no portal UOL Esporte, aproveitou a vitória do Palmeiras nos pênaltis para criticar ambos os times.

 

“Teria sido, se o Corinthians fosse campeão, o título mais sádico da história do Dérbi Corinthians e Palmeiras, porque realmente era uma coisa desumana com a torcida do Palmeiras, com o Palmeiras, o Corinthians sair lá da casa verde campeão. O Corinthians não fez por empatar 1 a 1, mas o Palmeiras também não fez muito mais do que ganhar de 1 a 0”, citou o jornalista.

 


Já Santos e São Paulo, que caíram nas quartas-de-final, ficaram distantes da pressão da decisão. Porém, as eliminações precoces para Ponte Preta e Mirassol, respectivamente, geraram críticas sobre a capacidade competitiva das duas equipes.

 

“O esfacelado Mirassol, que perdeu 18 atletas na pandemia, 18! Não havia marcado nenhum gol nos dois jogos que fez, depois da parada. Marcou 3 hoje. Em Daniel Alves, Pato, Pablo & cia. Vexame histórico”, citou André Rizek, dos canais Globo, sobre o São Paulo.

 

Quais as expectativas dos paulistas para o Brasileirão?

Em outros anos, os quatro paulistas seriam prontamente apontados como os favoritos ao título brasileiro. Afinal, somente na década de 2010, o Corinthians foi tricampeão, e o Palmeiras, bi. Porém, pelo fraco desempenho mostrado no Paulistão, os ventos não parecem soprar de maneira favorável aos grandes de SP.

 

Devido ao ano 'mágico' protagonizado pelo Flamengo em 2019, as predições apontam o favoritismo para o clube carioca no Brasileirão. Cabe aos paulistas mostrarem jogo a jogo que ainda têm força para baterem de frente na disputa pelos principais torneios do Brasil e da América do Sul.

 

Para isso, os grandes do estado enfrentarão uma série de desafios; veja os principais de cada um deles.

 

O Corinthians e a mudança


No ano de 2020, o Corinthians não mudou apenas o treinador com a chegada de Tiago Nunes, mas também a filosofia de trabalho. A ideia do clube é se afastar do DNA defensivo adotado desde 2008 com Mano Menezes e se tornar uma equipe que propõe o jogo nas partidas.

 

Porém, vem enfrentando dificuldades na temporada. Eliminado na pré-Libertadores, quase ficou fora do mata-mata do Paulistão, e só se classificou pelas vitórias ‘milagrosas’ após a paralisação do torneio. Até aqui no Brasileiro, somou 4 pontos, com uma vitória, uma derrota e um empate. O placar de 3x1 sobre o Coritiba mostrou que o time pode ter um futuro positivo, mas ainda é preciso muito trabalho para conquistar a confiança da Fiel.

 

O São Paulo e o jejum


O São Paulo vive uma crise profunda por conta da suposta perda do ‘DNA vencedor’. O clube que ganhou duas Libertadores seguidas em 1990 e 3 Brasileirões na sequência nos anos 2000, não vence um título desde 2012, e o troféu nacional não vem para o Morumbi desde 2008.

 

O técnico Fernando Diniz não consegue dar competitividade à equipe e balança no cargo, ganhando sobrevida após o empate no final contra o Bahia, mas não se sabe até quando. Nomes criticados do elenco já começaram a sair, como é o caso de Alexandre Pato, que rescindiu contrato com o clube paulista. O Tricolor precisará jogar muita bola para convencer a torcida de que terá algum futuro positivo no Brasileirão.

 

O Santos e a crise


O Santos passa por um momento financeiro complicado. Os atrasos de salários ocacionaram em litígios judiciais de titulares como Everson e Sasha, que pediram rescisão unilateral dos respectivos contratos. O português Jesualdo Ferreira foi demitido, dando lugar a Cuca no comando da equipe.

O novo treinador, com a ajuda de nomes importantes para o elenco como Soteldo, Sánchez e Marinho, conseguiu duas boas vitórias, contra Sport e Athletico Paranaense. Entretanto, a missão de levar o Santos a algum lugar não será nada fácil em um campeonato tão longo.

 

O Palmeiras e a falta de futebol


Mesmo o título paulista em cima do maior rival não ajudou a aliviar a pressão da torcida sobre Vanderlei Luxemburgo e o time do Palmeiras. A principal reclamação é o baixo desempenho de nomes importantes para a equipe, como Ramires, Lucas Lima, Bruno Henrique e até o novato Rony.

 

A vitória sobre o Athletico Paranense fora de casa deu sobrevida a Vanderlei, mas ainda gerou protestos da torcida. A saída de Dudu e a consequente falta de referência técnica na equipe palmeirense bancam a necessidade de novos ídolos no Brasileirão, que podem ser os garotos da base, como Gabriel Menino e Gabriel Verón.

 

Bônus: Red Bull Bragantino


Apesar de não figurar entre os quatro grandes de São Paulo, o Red Bull Bragantino também representa o estado na competição nacional. Líder da primeira fase do Paulistão, a equipe caiu para o Corinthians nas quartas. Porém, chega com certa moral para a primeira divisão.

 

Em 4 rodadas, a equipe somou dois empates, uma vitória e uma derrota. O objetivo é se firmar na elite nacional e buscar algo a mais para mostrar o sucesso do projeto da Red Bull, como a tão sonhada vaga para a Libertadores da América na temporada de 2021.

 

Por Redação Esporte Jundiaí

Fotos: Agência Corinthians/Divulgação Ivan Storti/SFC, Rodrigo Coca/Ag. Corinthians e Divulgação/Cesar Greco