O basquete feminino do Brasil tem apenas uma atleta atuando na WNBA, que está ocorrendo em uma bolha na região da Flórida, nos Estados Unidos. E é uma ex-atleta do basquete de Jundiaí, da época do Divino/COC. Trata-se de Damiris Dantas do Amaral, a Damiris.

 

Aos 27 anos, ela faz boas atuações na principal liga feminina de basquete do mundo. Em dez partidas, ela já anotou 102 pontos no total – média de 10,2 pontos por jogo. O time de Damiris, o Minnesota Lynx ocupa o quarto lugar na classificação geral com 70% de aproveitamento – sete vitórias e três derrotas.

 

Os números de Damiris na temporada são os seguintes:

- 252 minutos em quadra na temporada (25,2 minutos em média por jogo)

- 51 rebotes no total, sendo 35 defensivos na temporada

- Média de 2,4 assistências por jogo

- 3 tocos na temporada

 

Começou a jogar em Ferraz de Vasconcelos, em escola estadual, foi levada ao Santo André por Janeth Arcain e depois veio defender o Divino/COC a convite na época de Luis Cláudio Tarallo, na temporada 2010. Em Jundiaí, ela defendeu a equipe que conquistou o título do campeonato paulista juvenil em 2010, sempre como destaque atuando como ala-pivô, sua posição de destaque no basquete.

 


Quando era atleta do time jundiaiense foi destaque na seleção brasileira sub-19 que ficou em 3º lugar no Mundial da categoria que ocorreu no Chile, na temporada 2011. Na seleção principal, ela conquistou dois títulos: Sul-Americano de 2013 e a Copa América de 2011. Ainda no currículo tem um bronze dos Jogos Pan-Americanos, em 2011.

 

Depois ela atuou na Espanha, no Celta de Vigo Baloncesto. Damiris foi escolhida na primeira rodada, 12ª escolha no Draft da WNBA de 2012 pelo próprio Minnesota Lynx que defende hoje, mas não seguiu lá todo o tempo.

 

Reserva, mesmo jogando com regularidade, acabou trocada pelo Atlanta Dream durante a temporada 2015. No ano seguinte, não jogou a WNBA para se dedicar à seleção que disputaria a Olimpíada do Rio. Quando voltou, em 2017, virou reserva. Foi trocada de novo, para voltar ao Lynx, para recomeçar. Depois de atingir média de 9,2 pontos por jogo na temporada, recorde na carreira, ganhou protagonismo no time que está jogando na bolha.

 


“A coach (Cheryl Reeve) me deu outro papel, de assumir mais o jogo, de ter mais jogada para eu definir. Eu estou aproveitando a oportunidade que ela está me dando de ter mais chances no ataque. Eu ainda posso melhorar muito na W, de acordo com a o que a técnica vem me pedindo. Ano passado foi a melhor temporada para mim. Quero melhorar para, no fim dessa temporada, dizer que foi a melhor de novo”, disse em entrevista publicada na última semana no UOL, ao jornalista Demétrio Vecchioli.

 

Ao mesmo tempo que jogou na WNA, atuou no basquete brasileiro nas equipes de Ourinhos, Maranhão e Americana, entre 2012 e 2019.

 

Damiris vive na cidade onde, em maio, a polícia matou sufocado o homem negro George Floyd, no estopim do movimento "Vidas Negras Importam". "Foi tão próximo de mim, sabe? É super perto de onde o time tem os apartamentos. Fiquei bem impactada mesmo", contou na reportagem ao UOL.

 

 "Não posso ter essa casa porque sou preta? É sério? Não posso ter uma casa legal porque sou preta? Até quando? Eu preciso falar porque eu tô sufocada, eu tô cansada. Não posso mais aceitar ligar a TV e ver um irmão meu sendo morto. Eu quero sim poder entrar numa loja sem o segurança ficar me olhando. Não é mimimi, acontece diariamente. 'Ah, mas você joga basquete, passa na TV...'. Eles não tão nem aí. Eu sou preta! É o que acontece", completou na mesma entrevista.

 

Por Thiago Batista

Fotos: Divulgação - WNBA