Thiago Batista: Futebol brasileiro precisa excluir a palavra “raça”


Por Thiago Batista - jornalista e editor-chefe do Esporte Jundiaí

 

“O que eu vi foi que o Corinthians correu muito, jogou com raça e com vontade. Perdeu para o Flamengo que tem um time melhor. No jogo do Palmeiras com o Fortaleza o que me preocupou foi o desânimo da equipe. Isso é um dos piores problemas que um time pode ter”. Essa frase foi do ex-goleiro do Palmeiras e campeão do mundo pela seleção brasileira em 2002, Marcos, em post no começo desta semana em sua conta no Instagram. E mais uma vez foi super infeliz. Valorizando a raça em detrimento de outros valores que são mais importantes no futebol brasileiro.

 

Eu detesto, mas detesto mesmo a valorização da raça sobre qualquer outra coisa no futebol, como o Marcos, acabou de digitar. Justo ele que tem a alcunha de santo. Pois o termo “raça” para mim não é algo que valoriza o futebol no termo da sua excelência e sim da sua selvageria.

 

A "raça" teria que ser a última coisa a ser analisada de jogadores e times de futebol e especialmente analistas e torcedores – que espalham cada vez mais esse termo, em redes sociais.

 

Enquanto a gente do Brasil ficar analisando e falando besteiras que é importante ter raça, teremos o nosso futebol tão atrasado quando ao que assistimos e gostamos do que é praticado no futebol europeu.

 

Um exemplo, em 2002, o Brasil foi campeão, com Marcos no gol, porque teve raça ou porque JOGOU BOLA? Claro que foi porque jogou futebol, até porque aquela seleção de “raça” não tinha nada. O que tinha era técnica e de tática – moderna para aquela época, com a saída de bola sendo feita por um dos zagueiros – caso de Edmílson, algo que cada vez mais ocorre no futebol de 2020.

 

Importante é JOGAR FUTEBOL, coisas que Corinthians e Palmeiras não estão fazendo HOJE. O que o Flamengo faz hoje – domingo o time rubro-negro os 90 minutos jogou futebol, em nenhum momento esboçou algo chamado “raça”, pois se fizer com muitos acham que é a principal virtude, perde totalmente seu sentido de existir como equipe.

 

E pra mim "raça", é querer dar porrada, ser violento, dar pontapé, o que o futebol de 2020 não permite mais em hipótese nenhuma.  A infeliz frase de Marcos, espero que seja a última nesse termo de “raça”. A palavra “raça” deveria ser excluída do vocabulário do futebol brasileiro.

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