Substituir um grande ídolo na história de um grande clube no futebol brasileiro é algo bastante difícil. Exemplos: quem substituiu Pelé no Santos, Ademir da Guia no Palmeiras, Rivelino no Corinthians, Raí no São Paulo, Ronaldinho Gaúcho no Atlético Mineiro como jogadores teve dificuldades.

Para treinadores também, caso de Telê Santana no São Paulo, Felipão no Palmeiras, Tite no Corinthians, Lula no Santos, e Jorge Jesus agora no Flamengo.

Até mesmo no Paulista, que não é um dos gigantes clubes do futebol brasileiro a missão de substituir um ídolo não é fácil. Imagine ter que entrar no lugar do profissional que garantiu a maior conquista da história do clube, que estava perto de completar 100 anos de história. Foi a missão que Marcelo Veiga teve que encarar no Paulista.

Quando Vagner Mancini decidiu não continuar no Paulista, aceitando uma proposta para comandar um clube no futebol dos Emirados Árabes, o clube teve que buscar no mercado um profissional que poderia aguentar a missão. Naquele momento a escolha de Marcelo Veiga não era ruim, não pelo seu estilo de jogo, mas pelos resultados de campo. Seu time tinha acabado de chegar a semifinal e não tomou gols do Santos naquela série. Só caiu por ter pior campanha que a equipe dirigida por Vanderlei Luxemburgo.

Veiga ainda teve que pegar um Paulista com muitas mudanças no começo da sua caminhada na Série B do Brasileiro. Exemplo foi a saída de Fernando Diniz, até então meio-campo do Tricolor. Sim, é esse Diniz que faz sucesso como treinador do São Paulo neste 2020. Diniz foi dispensando minuto depois de conceder entrevista para este repórter sobre como era o desafio daquela ‘Segundona’.

Marcelo Veiga não conseguiu agradar a torcida do Paulista, especialmente pelo seu estilo de jogo que prioriza mais a força do que a técnica. Só que era um cara bom de papo com a imprensa. Suas conversas sobre futebol eram excelentes. Teve um dia, no começo da minha carreira como jornalista (estou ficando velho já) que gravei com ele no banco de reservas do Jayme Cintra (lembro da cena até hoje) e ficamos uma hora falando de futebol. E que papo!

Eu lamento até hoje que ele não deu certo no Paulista. Ele dirigiu a equipe por 50 dias aproximadamente. Sua estreia foi em 12 de maio e despedida em 29 de junho daquele 2007. Veiga também não caiu no carinho dos torcedores muito pelo começo ruim do time. Perdeu de forma categórica do Coritiba por 3 a 1. Empatou em casa com a Ponte Preta por 2 a 2. E depois tomou 4 a 1, fora de casa, do Brasiliense.

Foram nove partidas no total que ele comandou o Galo e apenas duas vitórias – 2 a 0 sobre o Remo e 3 a 1 sobre o Santo André, em Jundiaí. O time de Veiga ainda teve um bom resultado que foi o empate com a Portuguesa, no Canindé, por 1 a 1 – jogo que horas depois foi a sua despedida. Preferiu dirigir o América de Natal que já era previsto faria uma campanha ruim naquela Série A do Brasileirão.

Veiga tentou ao máximo no seu trabalho e no que pensa de futebol manter o padrão de Vagner Mancini. Só que substituir um ídolo nunca é fácil, seja para dirigentes, seja para o torcedor. Saiu pela porta da frente, pois não acusou o clube em nada, e não foi demitido: ele preferiu mudar o seu caminho e que o Paulista trouxesse um novo profissional para tentar salvar a equipe. E a gente lembra quem veio...

Só que Marcelo Veiga foi um profissional de sucesso. E mostrou sua competência no futebol, como nos jogos contra o Paulista. Como no inesquecível 2 a 1 do Bragantino contra o Tricolor, no sábado de Carnaval de 2006, onde seu time fez a equipe do Galo cair na armadilha da provocação e no fim o jogo terminou com oito atletas de cada lado, devido a uma briga. Ou no ano seguinte, com o mesmo Bragantino, após sair perdendo por 1 a 0, em casa, virar com um futebol ofensivo e rápido e ganhar por 4 a 1.

O último encontro do Paulista com Marcelo Veiga foi na Série A2 de 2015. E foi com uma vitória convincente do Guarani, time que ele dirigiu na época: 2 a 1 no Jayme Cintra. Mostrando que era um treinador vencedor. Campeão brasileiro de duas séries inferiores: Série C de 2007 no comando do Bragantino e Série D de 2015 dirigindo o Botafogo de Ribeirão. Uma história que jamais será apagada.

Uma história de vencedor, que pode ainda ter mais um título: pois se o São Bernardo FC vencer a Copa Paulista (está nas semifinais), Veiga começou a caminhada do time na competição. Quem sabe os Deuses da Bola, que receberam mais um integrante nesta semana, possam ajudar o Bernô nessa caminhada!


Por Thiago Batista de Olim - jornalista responsável pelo Esporte Jundiaí