Thiago Batista: O dia que o jogo foi 1 a 0 e não narrei o gol. E a culpa não foi minha - Esporte Jundiaí

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Thiago Batista: O dia que o jogo foi 1 a 0 e não narrei o gol. E a culpa não foi minha

No Esporte Jundiaí desta terça-feira foi relembrada a história do Porto Morada das Vinhas. E um jogo deste clube tem uma atenção especial na minha carreira como jornalista, mais especialmente como narrador. Um jogo que terminou 1 a 0 e não narrei o gol. E parecia que sentia que o gol ia sair. Só que não narrei o gol, pois a culpa não foi minha.

Porto Morada das Vinhas e Palmeiras do Medeiros jogaram no centro esportivo Aramis Polli na manhã do domingo. Trabalhava naquela época na TV Japi e fui fazer o jogo como narrador, juntamente com Edney Andreotte como comentarista e Rodrigo Barbosa como cinegrafista. Jogo da segunda rodada da fase de grupos. A gente gravava o jogo para exibição no dia seguinte a noite. Não tinha transmissão por streaming em 2008 (conexão começava a engatinhar pelo sistema Wi-fi).

2008 ainda não era gravação por carta. Era por fitas, pequenas, que gravavam em média 60 minutos. Lembro muito bem que todas as fitas que entreguei para a gravação estavam rebobinadas no 0. Só que o nosso amigo, cinegrafista, Rodrigo, levou mais fitas. E não estavam rebobinadas.

Fomos fazer o jogo no Aramis Polli e bola rolando. E qual fita foi colocada para gravação. Exatamente a que você está pensando. Bola rola e tal e por volta, se não me engano, dos 10 minutos do primeiro tempo, o Palmeiras conseguiu um escanteio. Cinegrafista fala: para tudo! Pronto, ele precisava trocar a fita.

Lógico que essa “anta” que escreve esse texto, falou o seguinte, no momento que o cobrador iria bater o escanteio (se não me engano foi o Danilo) eu soltei: “Só falta sair o gol”. O que você acha meu caro leitor o que ocorreu? Exatamente: GOL! GOL DO PALMEIRAS DO MEDEIROS.

Pronto, a “mercadoria” (para não escrever um palavrão) estava feita. Eu tive que pensar rápido. E quando voltamos a gravar, o que soltei: “Tivemos um problema de energia elétrica no Aramis Polli e infelizmente por conta disso foi perdido o gol e o jogo está 1 a 0 para o Palmeiras, pois o escanteio foi batido e a jogada foi...” e descrevi a jogada como se fosse rádio. E tocamos o primeiro tempo.

Percebam: problema de energia elétrica no campo do Aramis Polli. O que menos tem no Aramis Polli é uma simples tomada de energia elétrica. Mas na hora, o calor da solução, era a única possível. E tocar bola para frente.

Claro que no intervalo eu soltei na nossa conversa de equipe, que só falta o jogo terminar 1 a 0, e não ter um gol para exibir no vídeo-tape. Dito e feito.

Agora o mais legal foi da conversa do intervalo. O cinegrafista perguntou: “Como faremos com o gol?”. O Edney soltou essa, que não aguentei e tive que rir, muito por dentro. “Vamos pedir para todo mundo voltar na área, bater o escanteio como foi e o jogador do Palmeiras (não lembro quem fez o gol naquele jogo) fazer de cabeça”. Óbvio que não tinha que fazer, era colocar o “trecho que falei da falta de energia” e ponto.

Erros acontecem, e hoje eu encaro mais como um causo do que outra coisa. O causo do jogo do gol que não narrei, mas que previ, mas não tive culpa de narrar... E o Rodrigo seguiu seu trabalho na TV Japi, com a lição aprendida, pois em todo local de trabalho tem problemas, e o Edney no jornalismo e todo mundo que atuou naquela partida no futebol amador e a gente aqui no Esporte Jundiaí.

Quem sabe um dia, narrando jogos no Esporte Jundiaí... Mas sem pular de narrar um gol (rs).


Thiago Batista é jornalista e editor-responsável pelo Esporte Jundiaí. Trabalha desde 2006 na área, com passagens no Lance (Caderno do Interior – cobrindo o Paulista), Agência Bom Dia, Jornal da Cidade e Jornal de Jundiaí, Rádio Cidade Jundiaí, Rádio Difusora Jundiaí, TV Japi e TVE Jundiaí.


Foto: Thiago Batista / Esporte Jundiaí

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