Morre autora da primeira cesta (e da primeira pontuação) da história do ginásio do Bolão - Esporte Jundiaí Morre autora da primeira cesta (e da primeira pontuação) da história do ginásio do Bolão

Faleceu na quarta-feira, aos 85 anos, por morte natural, Neyde Carlos Pereira, mais conhecida como Ponce De Leon. Ela foi autora da primeira cesta e por consequência da primeira pontuação da história do ginásio Nicolino de Lucca, que carinhosamente ganhou o apelido de Bolão.

A jogada da cesta a autora relembrou em 2013, em entrevista ao site da Prefeitura de Jundiaí na época. Uma cesta digna de “Bolão”. A primeira cesta do local ocorreu após uma jogada individual de Ponce de Leon, na época com 18 anos, somando dois pontos na partida entre Jundiaí e Itatiba, pelos Jogos Abertos do Interior de 1953. “Lembro que me passaram a boa e parti do meio da quadra, tabelei e recebi para marcar. Eu marquei 26 pontos neste jogo. Nós vencemos, mas não lembro de quanto. O ginásio estava lotado. Meu pai (Francisco) nunca tinha frequentado um ginásio e me recordo que ele ficava gritando para as minhas colegas passarem a bola para mim”, lembra emocionada. “Quando eu venho aqui no Bolão, um filme passa na minha cabeça”, disse ela. Ela recebeu homenagem em 2013 pelo feito, pelo prefeito de Jundiaí na época, Pedro Bigardi.

Neyde quase não foi a autora da primeira cesta do local. “Eu jogava vôlei e naqueles Jogos Abertos a cidade não tinha equipe de basquete. O Helio Brayner (técnico da época) me convidou para jogar, pois ele montou a equipe de última hora. Até uniforme pegamos emprestado. Não gostava de jogar vôlei e aceitei o convite. Joguei aqueles Abertos e depois parei de atuar”, contou na mesma entrevista.

O apelido de Neyde, Ponce De Leon surgiu no período que marcou a cesta histórica. “Tinha um jogador do Palmeiras daquela época que se chamava Ponce de Leon. Como era ruivo e tinha sardas, assim como eu, começaram a me chamar assim e pegou. Hoje todo mundo me conhece pelo apelido, disse na mesma entrevista”.

Depois da temporada rápida no basquete, a pianista Neyde Carlos Pereira se formou em música e depois em direito, atuando como advogada. No fim dos anos 90 e começo dos anos 2000, Ponce De Leon defendeu Jundiaí no vôlei adaptado nas principais competições, chegando a ser campeã estadual.

Ponce também trabalhou por muitos anos no Sesi e teve um restaurante icônico chamado Arroz, feijão e companhia. Foi símbolo feminista e abriu caminhos importantes para as mulheres jundiaienses lembrou em postagem nas redes sociais o professor Maurício Ferreira. Ela deixou seu neto Matheus Peixoto e a sua filha Maria Hilzimar.


Fotos: Site da Prefeitura de Jundiaí – Dorival Pinheiro