Goalball: Após ouro em Tóquio, Alessandro Tosim fica até 2024 no comando da seleção - Esporte Jundiaí Goalball: Após ouro em Tóquio, Alessandro Tosim fica até 2024 no comando da seleção

Campeão há exatos sete dias dos Jogos Paralímpicos de Tóquio como treinador da seleção brasileira de goalball masculino, o jundiaiense Alessandro Tosim, em entrevista ao Esporte Jundiaí disse que ficará no comando da seleção até 2024, quando ocorrem as Paralimpíadas de Paris. “Em relação ao próximo ciclo já está 100% certo”, contou.

Na entrevista, Tosim comenta a emoção da medalha de ouro, a importância do título paralímpico para a modalidade, as dificuldades que teve neste ciclo paralímpico, e a importância do Peama na sua carreira, como também do apoio da sua família.

 

Esporte Jundiaí: Qual a sua emoção de levar esses meninos ao ouro, um trabalho de mais de 10 anos que foi corado na sexta-feira?

Alessandro Tosim: Isso é resultado de alguns anos árduos de trabalho, de evolução, enquanto equipe, enquanto treinador. Tudo isso é um processo que vai acontecendo ao longo do das etapas em cada momento que a gente vai vivendo. E a gente vê aí o Brasil estando no topo do mundo já desde de 2012 quando foi medalha de prata nos Jogos de Londres até hoje e estando no topo do mundo aí isso é muito gratificante. Para todos terem a noção todas as competições que nós disputamos, nós somos ouro, ou prata, ou bronze e isso é fato. O que é muito importante e gratificante, sendo um sinal que o que o trabalho está tá bem executado. E todo profissional atinge o êxito neste momento atinge o ápice da vida e de todo o trabalho que foi feito quando você ser um medalhista de ouro. Ser um medalhista paralímpico já é resultado de um grande trabalho. Agora ser medalhista de ouro é completamente diferente ainda amais que a gente j passou pelas outras experiências de ser prata e bronze, dessa vez foi muito gratificante foi e ter concluído um trabalho aí com grande resultado que é a medalha de ouro.

 

Esporte Jundiaí: Neste ciclo paralímpico qual foi a maior dificuldade?

Alessandro Tosim: Em relação aí as maiores dificuldades durante o ciclo né sem dúvida foi a pandemia, pois foi quando nos trouxe as maiores dificuldades por justamente ter parado. Literalmente nós paramos quase um ano e três meses, ficando estagnado. Então a gente conseguiu aí dentro desse período manter os atletas motivados, treinando em suas casas e quando voltamos para os treinamentos propriamente dito, a gente já via que a parte física pelo menos eles estavam conseguindo manter um padrão de qualidade. Então é sem dúvida alguma foi a maior dificuldade.

 

Esporte Jundiaí: A importância do Peama na sua vida, que abriu as portas para você entrar nesse mundo paralímpico?

Alessandro Tosim: Na verdade o Peama foi o start para se começar a começar a trabalhar com as pessoas com deficiência. Ali nós começamos com a modalidade caratê em 1998, eu justamente com o professor Wesley Piccolo e a professora Mara. O caratê tá lá ainda, depois de ficar um tempo parado, conseguindo retorna em 2019, que está firme. O Peama é atualmente é um dos maiores programas de esporte para pessoas com deficiência do mundo. Tudo que envolve o Peama em um grau de importância muito grande, pois faz algo que podemos chamar de responsabilidade social muito forte, a gente pessoa no esporte e chegar no esporte de alta performance. Isso foi um grande passo, sendo que a partir do momento que a gente começou praticar o goalball, começou a desenvolver a modalidade e atingir o status de uma equipe qualificada pra disputar as grandes competições, foi o caminho para atingir e chegar na seleção brasileira. E quando chegou na seleção os grandes passos aí foram justamente mudar um pouquinho a filosofia de trabalho, mudar um pouquinho a filosofia de pensamento dos atletas e tirando quem não era interessante para o grupo, e quem era interessante deixar essa pessoa mais forte. E isso foi ganhando conhecimento, adquirindo experiências e o Brasil se tornasse uma referência no cenário mundial

 

Esporte Jundiaí: A importância do apoio de Jundiaí para o goalball, enquanto não tinha o CT de treinamento na capital paulista?

Alessandro Tosim: Quando eu assumi a seleção nós passamos aqui por etapas (de treinamento). Então a gente não pode deixar de destacar a Associação Primavera de Esportes, que foi num determinado momento um centro de treinamento da seleção. Também os centros esportivos aqui da cidade, onde a equipe do Peama treinava, também passaram a ser locais de centro de treinamento da seleção. Em 2016 quando foi aberto o Centro Paralímpico de treinamentos, passamos a treinar no local, que nos oferece toda a estrutura necessária para todas as seleções paralímpicas.

 

Esporte Jundiaí: O que a medalha de ouro pode significar ao goalball, já que a modalidade foi a segunda a conquistar um título paralímpico em esportes coletivos na história para o país?

Alessandro Tosim: Sem dúvida é glorioso demais, pois isso é importante para o movimento, especialmente o de cegos. Tem também o futebol de cinco que foi pentacampeão paralímpicos. O goalball brasileiro tivemos quatro participações em edições paralímpicas. Em 2008 foi com outro treinador, e com a gente desde 2012 (2012, 2016 e agora a edição de 2020). Eu estou a frente desde 2012 e então a gente teve o privilégio de ganhar três medalhas que goalball conquistou ao longo do seu do seu período. Isso é fundamental para o desenvolvimento da modalidade no país, justamente pelo fato de que a gente tem que pensar pois para chegar neste status, a gente precisa primeira coisa ter desenvolvimento das categorias de base no nosso país. Segunda coisa a gente ter um campeonato nacional que seja representativo, ou seja, que seja um campeonato forte, onde os clubes tenham competições com o nível interessante dentro do país. E a partir daí pensar nas seleções, fazendo intercâmbio, participando de competições internacionais e ainda atingir níveis mais altos que é justamente você estar entre as três potências do mundo em campeonatos mundiais e Paralimpíada.

 

Esporte Jundiaí: O Tosm está preparado para mais um ciclo paralímpico. Pode treinar a seleção em Paris-2024?

Alessandro Tosim: Em relação ao próximo ciclo já está 100% certo.  Eu tiver uma reunião ontem com presidente da CBDV (Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais, José Antônio Ferreira Freire é o nome do presidente) e está 100% a gente se manter para mais um ciclo de trabalho e até Paris. Ai depois de Paris a gente não sabe. Primeiro pensamento é classificar para Paraolimpíada de 2024 o que não vai ser fácil. Nós já conseguimos o feito de já estar classificado para o Campeonato Mundial, mas para classificar para Paralimpíada o passo ainda é árduo e não será fácil estar em Paris. Primeiro a gente tem que ir bem no Campeonato Mundial e estar entre as três potências pois aí já garante uma vaga aí pros Jogos Paralímpicos de Paris.

 

Esporte Jundiaí: O retorno para Jundiaí?

Alessandro Tosim: Nós chegamos na segunda-feira, por volta das 19h, e eu tive uma recepção muito bacana que foi feita aqui no meu condomínio onde moro, onde muitos moradores estavam na frente minha casa me esperando. Eles me recepcionaram com faixa, bexiga, gritando é campeão. E isso foi muito, muito gostoso, pois todos os moradores na medida possível eles acompanharam os jogos e isso é deixa a gente muito feliz. Feliz porque o goalball apareceu e a modalidade teve grande visibilidade na Paraolimpíada de Tóquio, onde todos os jogos foram transmitidos pelo SporTV e pela TV Brasil, sendo assim o ápice do esporte. Então a gente tá muito feliz com todo o resultado, com tudo que aconteceu e feliz também recepção das pessoas aqui.

 

Esporte Jundiaí: A importância da família para ficar mais de 30 dias fora do Brasil? E como foi conversar com a família após o título paralímpico?

Alessandro Tosim: A família é fundamental, é tudo. Porque não é fácil para minha esposa Ana Carolina ficar com as duas filhas (Maria Eduarda de 13 anos e Isabela de 4 anos), e ainda dar da casa e conta do trabalho. E ela fez isso com muita maestria porque foram quase 40 dias longe. E ela sempre foi parceira, me motivando. Mesmo distante o tempo todo ela me motivando para que ficasse firme e ficasse focado que a medalha de ouro iria vir. Ela foi uma pessoa fundamental na minha vida que eu tenho muito orgulho de ser casado.